Geral Deu ruim
Foragido que saiu pela porta da frente de penitenciária é preso pela BM
Apontado como liderança de facção criminosa, Willian Ramos Silveira foi localizado três meses depois da fuga; um fuzil foi apreendido no imóvel.
20/08/2026 10h00
Por: Marcelo Dargelio
Willian Ramos Silveira foi capturado em um casa alugada em Cachoeirinha - Fotos: Reprodução

A Brigada Militar recapturou, no fim da noite desta quarta-feira, 19, Willian Ramos Silveira, o Will, de 29 anos. O detento, apontado pelas autoridades como liderança da facção Bala na Cara em Cachoeirinha, estava foragido havia cerca de três meses, depois de deixar a Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC) pela porta da frente com um alvará de soltura supostamente falsificado.

A prisão foi realizada por uma guarnição do 26º Batalhão de Polícia Militar, por volta das 22h50min, em um condomínio na avenida Obedy Cândido Vieira, no bairro Distrito Industrial, em Cachoeirinha. Conforme a polícia, Will havia alugado uma residência no local e mantinha uma rotina discreta, cercado por um forte aparato de segurança. Um fuzil também foi apreendido no imóvel.

Fuzil, munições e celulares foram apreendidos na operação

 

Will era procurado oficialmente desde 3 de junho, quando a Justiça expediu um mandado de recaptura. A fuga, porém, havia ocorrido em 21 de maio e somente foi descoberta dias depois.

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Saída com falso alvará

Imagens de câmeras de segurança mostram que Will deixou a penitenciária às 9h29min de 21 de maio, acompanhado por um policial penal. Ele apresentou um documento que simulava uma soltura regular e saiu pelo portão principal da unidade.

De acordo com a investigação do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), o alvará teria sido falsificado por um servidor do setor responsável por receber e conferir ordens judiciais. O nome de Will teria sido incluído indevidamente no procedimento de soltura de outro preso. A apuração também apontou que a fuga ocorreu durante a troca de visitas, período de maior circulação na penitenciária.

Depois da saída, registros internos teriam sido adulterados para esconder a ausência. Uma folha do livro de controle de entrada e saída dos apenados foi arrancada, enquanto o sistema recebeu a informação de que Will havia sido removido para um hospital — deslocamento que nunca ocorreu. A ausência foi percebida apenas em 1º de junho, quando o detento tinha uma audiência marcada. Mesmo fora da penitenciária, ele permaneceu registrado oficialmente como preso durante 12 dias. 

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Três policiais penais indiciados

A Polícia Civil indiciou três policiais penais no inquérito sobre a fuga. Rudcrei da Costa Machado, de 50 anos, servidor que trabalhava no setor de Informações Penitenciárias, é apontado como responsável pela falsificação do alvará e pela simulação da soltura.

Ele foi indiciado por promoção de fuga de pessoa presa, inserção de dados falsos em sistema da administração pública, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Rudcrei está preso preventivamente desde o início de julho e nega participação no esquema. A defesa afirma que não teve acesso integral à conclusão do inquérito e sustenta a inocência do policial penal.

Também foram indiciados por prevaricação o supervisor do módulo onde Will estava recolhido e uma policial penal que manteve relacionamento com Rudcrei. Segundo a Polícia Civil, ambos teriam identificado inconsistências nos registros, mas não comunicaram o caso aos superiores. Os dois respondem em liberdade. Um inquérito separado continua apurando a possível participação de outras pessoas e a motivação da fuga.

Histórico de fugas

Apontado como integrante de posição elevada no tráfico de drogas da Vila da Paz, Will cumpria pena em regime fechado e tem mais de 34 anos de condenação a cumprir. Ele estava preso desde julho de 2025, quando teria disparado com um fuzil calibre 5.56 contra policiais do mesmo batalhão que realizou a recaptura.

Essa não foi a primeira vez que ele deixou o sistema prisional. Em 2024, após receber prisão domiciliar humanitária por problemas de saúde, Will rompeu as condições do benefício e permaneceu foragido por aproximadamente um ano. Ele foi recapturado em 2025, depois de um confronto com policiais militares.

Com a prisão desta quarta-feira, Will deverá ser reconduzido ao sistema penitenciário. A apreensão do fuzil deve originar uma nova investigação para esclarecer a procedência da arma e eventual participação do detento em crimes cometidos durante o período em que permaneceu foragido.