A unidade Smart das Casas Bahia em Bento Gonçalves encerrou permanentemente suas atividades, inserida na onda de demissões e fechamento de pontos de venda promovida pelo grupo no Rio Grande do Sul e em todo o país. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise financeira da varejista, que protocolou pedido de recuperação judicial para reorganizar passivos que somam R$ 17,3 bilhões.
A presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bento Gonçalves (SEC-BG), Orildes Maria Lottici, comentou o cenário e destacou que a empresa passa por uma "mudança multi-estrutural" típica dos grandes grupos econômicos. A dirigente lembrou que o grupo conta com dezenas de Centros de Distribuição (CDs) pelo Brasil — como a estrutura de mais de 220 mil metros quadrados em Jundiaí (SP) e unidades estratégicas em Ribeirão Preto (SP) e Camaçari (BA) — para sustentar suas entregas e o fluxo de mercadorias.
Migração para o Digital e Dificuldades no Estoque
Segundo a presidente do SEC-BG, o encerramento de unidades físicas não reflete paralisação das vendas, mas sim o direcionamento de estratégias de mercado. Dados do primeiro trimestre de 2026 mostram que o grupo teve crescimento de 6,5% nas vendas consolidadas (atingindo cerca de R$ 8,5 bilhões), impulsionado pela alta de 26% no e-commerce, enquanto os estabelecimentos físicos registraram recuo de 1,8%.
"Como já vem de uma recuperação extrajudicial e não sabemos como foi essa gestão, devem enfrentar dificuldades de financiamento para garantir estoque e aí perdem para a concorrência, entrando agora com o pedido de recuperação judicial para ganhar fôlego com os credores", avaliou Orildes. Questionada se o sindicato precisou realizar alguma intervenção direta para negociar os desligamentos dos funcionários da loja local, Orildes informou que "ainda não".
O Reflexo da Crise Nacional
O encerramento em Bento Gonçalves faz parte do plano da Casas Bahia de fechar 298 lojas e demitir cerca de três mil colaboradores nacionalmente. Após o anúncio da recuperação judicial, as ações da companhia desabaram 33,3%, cotadas a R$ 0,44. A empresa acumulou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, somando R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre.
O CEO da companhia, Renato Franklin, atribuiu a piora recente ao ambiente macroeconômico de juros altos, crédito restrito e volatilidades internacionais, como a alta do petróleo e conflitos geopolíticos. Especialistas do mercado, contudo, ponderam que as dificuldades se arrastavam há pelo menos três anos, agravadas pelo vencimento dos prazos de carência das dívidas renegociadas em 2024.