Saúde Novidade
Anvisa aprova primeiro genérico de canetas emagrecedoras do país
Caneta injetável será fabricada pela EMS e terá o Ozivy como medicamento de referência; preço e data de lançamento ainda não foram divulgados.
17/08/2026 13h36
Por: Marcelo Dargelio

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (17) o primeiro medicamento genérico de semaglutida do Brasil. A substância é usada no controle do diabetes tipo 2 e integra medicamentos injetáveis popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

O registro foi concedido à EMS, farmacêutica que também produz o Ozivy, primeira semaglutida sintética nacional. O produto, lançado em junho, foi classificado pela Anvisa como medicamento novo e passou a servir de referência para o desenvolvimento do genérico.

A nova caneta ainda não tem nome comercial — medicamentos genéricos são identificados pelo princípio ativo — nem data definida para chegar às farmácias. A EMS também não informou o preço.

A aprovação sanitária permite a fabricação do produto, mas não representa o início imediato das vendas. A empresa ainda precisa definir o cronograma de produção e distribuição, além de obter a aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

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Indicação é para diabetes tipo 2

Embora a semaglutida tenha se popularizado pelos efeitos sobre o peso, o genérico tem como referência o Ozivy, cuja indicação aprovada é o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 sem controle adequado.

O medicamento deve ser usado como complemento à alimentação e à prática de exercícios. Ele pode ser prescrito isoladamente quando a metformina não for apropriada, por intolerância ou contraindicação, ou em associação a outros tratamentos para diabetes.

A aprovação, portanto, não deve ser confundida com uma autorização específica para o tratamento da obesidade. O Wegovy, também à base de semaglutida, é uma das apresentações que possui indicação em bula para controle do peso em determinados pacientes.

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Como o genérico se tornou possível

Até recentemente, os medicamentos de semaglutida disponíveis no Brasil eram produzidos por processo biotecnológico. Pela regulação brasileira, produtos biológicos não possuem versões genéricas convencionais.

O cenário mudou com o desenvolvimento, pela EMS, de uma semaglutida obtida por síntese química. Essa formulação recebeu o nome comercial Ozivy e foi registrada em maio como medicamento novo, e não como genérico, similar ou biossimilar.

Depois de comprovar eficácia, segurança e qualidade, o Ozivy foi incluído como produto de referência. Isso abriu caminho para que uma versão genérica sintética fosse comparada a ele em estudos de equivalência.

Segundo a Anvisa, um genérico deve apresentar o mesmo princípio ativo, dose, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência. A substituição deve ser respaldada por testes de equivalência farmacêutica e bioequivalência.

Quatro apresentações foram aprovadas

O registro concedido à EMS contempla quatro apresentações, todas com concentração de 1,34 mg/ml:

A administração é semanal e depende de prescrição médica. Como os demais medicamentos agonistas de GLP-1, a venda exige receita em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia.

Preço deve ser menor

A legislação determina que os genéricos sejam pelo menos 35% mais baratos que os respectivos medicamentos de referência. Isso não permite, porém, calcular o valor final diretamente a partir de descontos promocionais.

Atualmente, o Ozivy pode ser encontrado por cerca de R$ 333 no programa de fidelidade da EMS, segundo levantamento da GZH. Esse valor é uma condição comercial e não necessariamente a base regulatória usada para definir o preço máximo do genérico.

Concorrência deve aumentar

A entrada do primeiro genérico deve ampliar a concorrência em um mercado que cresceu rapidamente com a procura por tratamentos para diabetes e obesidade. A expectativa é de que novas opções reduzam preços e aumentem a disponibilidade da semaglutida no país.

A Anvisa já havia aprovado, em julho, outras cinco canetas de semaglutida sintética para diabetes tipo 2. O novo registro, no entanto, é o primeiro enquadrado formalmente na categoria de medicamento genérico.