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Speranza: A epopeia da imigração italiana ganha as telas
Unindo a bagagem internacional do cineasta Emiliano Ruschel ao rigor histórico do escritor Luis H. Rocha, o documentário Speranza resgata as dores, a fé e a força do trabalho nos 150 anos da imigração no Rio Grande do Sul
17/08/2026 11h55
Por: Jonathan Zanotto
O cineasta e ator Emiliano Ruschel ao lado do escritor, jornalista e publicitário Luis H. Rocha. (Foto: Divulgação)

A semente do longa-documental Speranza: A Epopeia Italiana na Terra Prometida germinou em um jantar despretensioso em Bento Gonçalves, em 2024, durante o evento Meeting Jovem. O escritor, jornalista e publicitário Luis H. Rocha, que há anos alimentava o desejo de adaptar suas pesquisas históricas para a linguagem das telas, encontrou no cineasta Emiliano Ruschel o parceiro ideal para aliar sensibilidade temática e padrão técnico de nível internacional. A afinidade imediata, intermediada pelo pesquisador e advogado Luís Molossi, transformou-se em um projeto cinematográfico que vem mobilizando a Serra Gaúcha e a Quarta Colônia.

"Existia há muito tempo a vontade de fazer esse documentário sobre a imigração italiana. Havia sempre a necessidade de um pouco mais de equipe, talento, criatividade e técnica", explica Rocha. O escritor, que iniciou sua jornada na imprensa aos 12 anos como tipógrafo e soma mais de dez livros publicados — incluindo a monumental trilogia de 1.200 páginas sobre os 150 anos da imigração —, destaca que a produção foge da homenagem superficial: "A esperança é o que os imigrantes traziam junto aos seus parcos pertences. Esse documentário é a prova concreta de como o trabalho do imigrante transformou o país, atuando como um agente transformador socioeconômico", explica.

A Visão do Cineasta: Das Luzes de Hollywood ao Retorno às Raízes

Com mais de quatro décadas de trajetória no audiovisual, o cineasta e ator Emiliano Ruschel comanda a direção e a produção da obra através da Ruschel Studios. Natural de Lagoa Vermelha e radicado em Passo Fundo, Ruschel estreou na publicidade regional aos 5 anos, transitou pelo teatro e construiu uma sólida carreira nacional e internacional. Acumulou papéis em novelas da TV Globo (como Cheias de Charme e Cobras e Lagartos), atuou ao lado de nomes como Wagner Moura (VIPs) e Selton Mello (Desafinados) e morou por 17 anos em Los Angeles. No mercado global, dirigiu e protagonizou o filme de ação Maverick: Caçada no Brasil, distribuído em mais de 190 países, e o drama Secrets, premiado na Espanha.

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Ao retornar ao Rio Grande do Sul, Ruschel assumiu o compromisso de descentralizar o cinema nacional. Gravou o thriller Quarta-feira de Cinzas em Passo Fundo e levou às telas a comédia dramática O Velho Fusca, estrelada por Tonico Pereira e Cleo Pires. Dirigir Speranza representa para ele um reencontro com suas próprias origens: "Eu sou também descendente de italiano e de alemão. É um sentimento mesmo de homenagear os 150 anos da imigração, valorizando esse pertencimento", conta.

O estalo definitivo para aprofundar-se no universo documental veio após dirigir Vozes do Italiano (disponível na Amazon Prime Video), sobre o coral Alegria Franciscana de Marau, fundado pelo Frei Primo Rigo. "Mexeu muito comigo ver o quanto a música e a memória fazem bem às pessoas e mantêm as raízes vivas. A partir dali, dar o passo para registrar a imigração como um todo foi natural", revela Ruschel. O cineasta enfatiza que a obra busca ir além do clichê da vitivinicultura: "Queremos falar do conjunto: do transporte, da madeira, do metal, da mecânica e da lavoura, conectando Bento Gonçalves, a Quarta Colônia e todo o estado", avalia.

Bastidores, Estrutura e Mapeamento da Produção

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A produção é assinada pela Ruschel Studios Cinematográficos LTDA e financiada por meio do edital SEDAC nº 10/2025 do sistema LIC-RS (Pró-Cultura RS), contando com um orçamento aprovado de R$ 700.000,00 e apoio de empresas regionais como a M Sul Móveis.

Com filmagens em andamento nas paisagens da Serra Gaúcha e finalização técnica prevista para os próximos meses, Speranza reafirma que o resgate histórico da imigração é, acima de tudo, uma celebração da identidade e da força de trabalho que moldaram o Rio Grande do Sul.