O aumento da procura por medicamentos injetáveis voltados ao tratamento de diabetes e obesidade — popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras" — acendeu um alerta entre endocrinologistas e nutricionistas para o risco de sarcopenia. A condição é caracterizada pela perda acelerada de massa muscular acompanhada da redução de força e do desempenho físico, podendo comprometer a autonomia e a saúde geral do paciente.
Especialistas ressaltam que qualquer processo de redução drástica de peso envolve a diminuição concomitante de gordura e de massa magra. Contudo, quando o emagrecimento ocorre de forma muito intensa e rápida — com perdas que podem chegar a 20% do peso corporal —, a quantidade absoluta de músculo perdido torna-se expressiva, especialmente se não houver planejamento nutricional e prática regular de exercícios de resistência.
Medicamentos à base de semaglutida (como Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (como Mounjaro) atuam aumentando a sensação de saciedade e reduzindo o apetite. A menor ingestão alimentar, se não for bem orientada, pode resultar em um déficit proteico e de micronutrientes essenciais, agravando o desgaste muscular.
A perda de massa magra é particularmente preocupante em idosos acima de 65 anos, indivíduos que já apresentavam perda muscular prévia ao tratamento e pessoas com obesidade sarcopênica (combinação de excesso de gordura com baixa massa magra). Estudos também apontam que as mulheres tendem a apresentar maior perda proporcional de massa muscular durante esses tratamentos devido à resposta acentuada de redução de peso e à menor quantidade basal de massa magra em relação aos homens.
Resumo dos riscos e prevenção da sarcopenia:
Efeito colateral principal: Redução acentuada da massa magra, diminuição de força física e risco de sarcopenia.
Grupos de maior vulnerabilidade: Idosos (acima de 65 anos), pessoas com sarcopenia prévia e pacientes com obesidade sarcopênica.
Continua após a publicidadeDiferenciação de medicamentos: Ozempic é indicado para diabetes tipo 2; Wegovy e Mounjaro possuem doses e indicações específicas para obesidade.
Estratégia nutricional: Aporte proteico entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal ao dia, fracionado em refeições de alta densidade nutritiva.
Atividade física obrigatória: Prática regular de exercícios de resistência e força, como a musculação, para preservação do tecido muscular.
Para conter a degradação muscular sem interromper os benefícios do tratamento de doenças crônicas como diabetes e obesidade, a orientação profissional envolve a manutenção de um déficit calórico moderado, garantia do aporte adequado de proteínas e inclusão prioritária de treinos de força na rotina do paciente.
Médicos alertam ainda para os perigos do uso sem indicação clínica — focado apenas em objetivos estéticos de curto prazo — e para a aquisição de produtos em mercado paralelo, que podem apresentar irregularidades na dosagem ou na conservação das substâncias.