O Tacchini Saúde firmou parceria com a Medāna, healthtech portuguesa com sede em Israel e operação em Portugal, para desenvolver uma ferramenta de inteligência artificial voltada à auditoria médica. A solução foi criada a partir da metodologia usada pela instituição de Bento Gonçalves e, segundo as empresas, não existia no mercado.
A ferramenta analisa automaticamente registros clínicos, reduzindo a necessidade de revisões manuais no processo de auditoria — etapa administrativa em que se verifica se os procedimentos realizados estão de acordo com os documentos e protocolos. A tecnologia não substitui decisões clínicas nem diagnósticos: cabe ao médico auditor fazer a conferência final.
Como surgiu
Nos últimos três anos, o Tacchini avaliou alternativas disponíveis no mercado brasileiro, mas, segundo a instituição, nenhuma reproduzia com precisão o trabalho dos médicos auditores. A oportunidade apareceu durante uma visita técnica a Israel, quando a equipe conheceu a healthtech, formada por médicos e especialistas em inteligência artificial.
"Apresentamos à Medāna como funciona nosso processo de auditoria, os documentos produzidos pelos médicos durante a assistência e a forma como o médico auditor realiza suas análises. A partir desse conhecimento, eles conseguiram desenvolver uma ferramenta que executa esse trabalho por inteligência artificial, permitindo que o médico faça somente a conferência final", explica a diretora técnica da operadora TacchiMed, Ana Boscato.
De Bento para o exterior
A expectativa é que a ferramenta comece a ser usada ainda em agosto. Depois de validada na instituição, a Medāna pretende disponibilizá-la em outros mercados, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.
Na semana passada, uma comitiva da empresa esteve em Bento Gonçalves para conhecer o hospital. "Esta parceria reflete nosso compromisso compartilhado em utilizar a inovação e a inteligência artificial para moldar a medicina do futuro", afirmou a fundadora e CEO da Medāna, Tal Patalon.
Para o gerente de TI do Tacchini Saúde, Carlos Bertollo, a iniciativa deve ser o primeiro passo de uma colaboração mais ampla. "À medida que surgirem novas demandas, acredito que teremos oportunidades para desenvolver outros estudos e novas soluções em conjunto", disse.