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Agentes de IA avançam nas compras entre empresas
Projeção aponta que agentes de inteligência artificial ganham espaço nas compras corporativas; para o CEO da Quality SMI, Matheus Silveira, a estru...
12/08/2026 22h45
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A ascensão do comércio agêntico, modelo em que agentes de inteligência artificial pesquisam, comparam e adquirem produtos em nome de empresas sem intervenção humana direta, começa a redesenhar as relações comerciais entre companhias. O movimento acompanha o avanço da IA nos processos de compra e venda: levantamento da Deloitte indica que 29% das empresas de bens de consumo da Ásia-Pacífico já adotam agentes de IA, percentual que deve chegar a 76% nos próximos dois anos.

O avanço acompanha uma mudança mais ampla no comportamento de busca. Segundo pesquisa da SparkToro, 68% das buscas no Google terminaram sem qualquer clique nos primeiros meses de 2026, contra 60% em 2024. O número indica que parte relevante das decisões passa a ocorrer dentro de ambientes mediados por IA, o que demanda das empresas uma forma diferente de visibilidade digital, hoje chamada de GEO (Generative Engine Optimization).

Do lado da demanda, a adoção já é expressiva. Um outro estudo da Deloitte aponta que quase 40% dos compradores corporativos utilizam agentes de IA para avaliar produtos, configurar pedidos, revisar contratos e comparar preços. Entre os fornecedores, porém, o índice cai para 24%, o que evidencia um descompasso entre quem adquire e quem oferece nesse novo cenário. A leitura recorrente é a de que o comprador incorporou a tecnologia mais rápido do que o vendedor, que ainda caminha em ritmo lento na exposição de suas informações.

A infraestrutura para esse tipo de transação começa a se padronizar internacionalmente. O Agentic Commerce Protocol, criado por OpenAI e Stripe em setembro de 2025, e o Universal Commerce Protocol, apresentado pelo Google durante a feira NRF em janeiro de 2026, estabelecem padrões para que os agentes descubram catálogos, negociem condições e concluam pedidos de ponta a ponta, sem que uma pessoa precise abrir o site do fornecedor.

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Preparação técnica das empresas

Para serem localizadas por esses agentes, as companhias precisam expor dados em formato legível por máquina. De acordo com Matheus Silveira, CEO da Quality SMI, a informação estruturada, e não apenas o conteúdo voltado ao leitor humano, torna-se determinante nesse contexto.

"As fichas técnicas em PDF, preços em imagem e tabelas pensadas para navegação não são interpretadas por um agente, que consulta campos objetivos, marcação semântica e informações de preço, estoque e prazo disponíveis em tempo real", observa.

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Silveira pondera que o GEO representa uma ampliação do SEO, e não uma ruptura, já que princípios como utilidade do conteúdo, clareza técnica e autoridade seguem válidos. "A distinção está no alcance: além dos buscadores tradicionais, a recomendação passa por ambientes como assistentes de IA e agentes de compra, que utilizam índices e critérios próprios de citação. Ranquear e ser citado são funções próximas, não iguais", afirma.

Entre os fatores que tornam um site invisível para agentes de compra, o especialista destaca o dado preso em formatos que a máquina não lê, a ausência de preço e estoque atualizados em tempo real e a chamada inconsistência de entidade, quando a marca aparece descrita de maneiras distintas em cada canal e acaba confundida com concorrentes. "Processos de pós-venda que dependem de etapas manuais, como devolução, assinatura e recompra, interrompem o fluxo, porque o agente não conclui a jornada quando encontra uma barreira operacional", acrescenta.

Novas métricas para a visibilidade digital

O profissional avalia que a mensuração de resultados também se transforma quando o clique deixa de ocupar o centro da análise. No lugar da métrica isolada de acesso, ganham peso a frequência com que a marca é citada como fonte pelos modelos, a participação de menções frente à concorrência e o sentimento associado a essas citações. "Esses indicadores precisam estar conectados à conversão e faturamento, uma vez que o rastreamento tradicional não enxerga uma decisão tomada dentro de uma conversa com IA", pontua.

Para o executivo, a defasagem das empresas brasileiras na organização de dados pode se converter em oportunidade para quem se antecipar. Ele considera que o mercado local ainda está pouco ocupado nessa preparação e que a estruturação técnica imediata tende a assegurar presença diante da concorrência, à medida que o comportamento de compra migra para os agentes.

"Visibilidade digital deixou de ser somente uma posição numa página. Hoje ela mede se a máquina consegue ler, confiar e recomendar a sua empresa. Quem ignorar isso não fica mal ranqueado, fica invisível", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://www.qualitysmi.com.br