Neste domingo, 9 de agosto, mensagens, fotografias antigas e homenagens tomam conta das redes sociais. Para muitas famílias, o Dia dos Pais é marcado por encontros e abraços. Para outras, chega acompanhado de saudade, distância ou de uma ausência que ainda machuca.
A data não tem o mesmo significado para todos. Há quem possa telefonar para o pai, quem visite o cemitério, quem conviva com uma relação difícil e quem tenha encontrado o cuidado paterno em um avô, padrasto, pai adotivo ou outra pessoa que decidiu assumir essa responsabilidade.
Em comum, essas diferentes histórias ajudam a lembrar que paternidade não é apenas um vínculo biológico. Ser pai também é estar disponível, acompanhar, educar, proteger, estabelecer limites e demonstrar afeto — inclusive quando o filho cresce e passa a enfrentar a vida adulta.
Durante muito tempo, a figura paterna foi associada principalmente ao sustento financeiro da família. Essa ideia, porém, vem sendo transformada. A chamada paternidade ativa propõe que os homens participem de forma constante dos cuidados, das tarefas domésticas e das decisões relacionadas à criação dos filhos.
A participação não está somente nos grandes acontecimentos. Ela aparece ao ajudar na tarefa escolar, preparar uma refeição, acompanhar uma consulta médica, ouvir sem interromper e reconhecer quando é necessário pedir desculpas.
Em 2026, a legislação brasileira ampliou de cinco para 20 dias a licença-paternidade e criou o salário-paternidade. Segundo o governo federal, a mudança procura estimular a presença dos pais nos primeiros dias de vida dos filhos e a divisão das responsabilidades de cuidado.
A transformação também é incentivada pelo Ministério da Saúde, que mantém agosto como período de valorização da paternidade e defende a participação dos homens desde a gestação e o parto até os cuidados cotidianos ao longo da vida.
O Dia dos Pais também coloca em evidência uma realidade dolorosa. Dados apresentados pelo Conselho Nacional de Justiça mostram que, entre janeiro de 2016 e julho de 2024, mais de 1,2 milhão de crianças foram registradas somente com o nome da mãe no Brasil.
A ausência do nome na certidão não retrata todas as formas de abandono, assim como a presença no documento não garante participação afetiva. O número, contudo, evidencia um desafio social que sobrecarrega milhares de mulheres e priva crianças de direitos. O reconhecimento de paternidade pode ser solicitado gratuitamente e a qualquer momento.
As famílias brasileiras também estão mais diversas. O Censo de 2022 mostrou que os casais com filhos passaram a representar 42% das famílias do país, ficando abaixo da metade pela primeira vez. O levantamento reforça que já não existe apenas um modelo familiar.
Flores, almoços e presentes podem tornar o domingo especial. O que fica, porém, são as lembranças construídas nos dias comuns.
Muitos filhos talvez não se recordem do valor de um presente recebido na infância, mas guardam a memória de uma conversa, de uma brincadeira, de uma mão estendida em um momento difícil ou da certeza de que poderiam pedir ajuda.
Por isso, o Dia dos Pais também pode ser uma oportunidade para dizer o que costuma ficar escondido pela rotina. Um “obrigado”, um pedido de desculpas ou uma demonstração de carinho pode ter mais significado do que qualquer objeto.
Para quem vive o luto, a homenagem pode estar em repetir uma tradição ou compartilhar uma lembrança. Para quem enfrenta uma relação interrompida, a data pode ser atravessada no próprio tempo, sem a obrigação de demonstrar uma felicidade que não existe.
No fim, ser pai não significa ser perfeito. Significa escolher estar presente, aprender com os erros e compreender que cuidado também é uma forma de amor.
E para você: qual ensinamento, frase ou lembrança do seu pai permanece até hoje?