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Álvaro Manzoni aposta em Cultura e Turismo no Conexões
Candidato a deputado estadual pelo Republicanos defendeu a descentralização dos recursos culturais, propôs incentivos ao turismo e apresentou a experiência em Monte Belo do Sul como principal credencial eleitoral.
06/08/2026 14h40
Por: Marcelo Dargelio
Alvaro Manzoni acredita na experiência municipal e a atuação cultural como diferenciais eleitorais - Foto: NB Notícias

O candidato a deputado estadual Álvaro Manzoni, do Republicanos, apresentou a cultura, o turismo sustentável e o desenvolvimento regional como os três principais eixos de sua campanha durante entrevista ao programa Conexões. Ex-vereador e produtor cultural de Monte Belo do Sul, Manzoni também se posicionou sobre a disputa presidencial e declarou apoio a Flávio Bolsonaro, apesar da neutralidade adotada nacionalmente por seu partido.

Na conversa, conduzida pelo apresentador Marcelo Dargelio, Manzoni buscou vincular sua candidatura à experiência acumulada na política municipal e na organização de atividades culturais. Segundo ele, foram sete mandatos como vereador e 12 anos de atuação à frente das áreas de Cultura e Turismo de Monte Belo do Sul.

Confira a íntegra da entrevista

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O candidato afirmou que pretende levar para a Assembleia Legislativa iniciativas testadas no município. “Não é porque a gente está em um município pequeno que não deve ter a ambição de mostrar aquilo que fez”, declarou. A trajetória como produtor cultural, músico e integrante do grupo Ragazzi Dei Monti também foi utilizada para sustentar sua proximidade com artistas, promotores de eventos e empreendedores do setor turístico.

Cultura como eixo econômico

Ao detalhar as bandeiras da candidatura, Manzoni resumiu seu discurso em três conceitos: “cultura é identidade, turismo é oportunidade e desenvolvimento é dignidade”. Para ele, os três setores estão interligados e podem estimular atividades como hotelaria, gastronomia, agricultura, comércio e prestação de serviços.

Questionado sobre possíveis cortes orçamentários diante das dificuldades financeiras do Estado, o candidato defendeu a preservação dos investimentos culturais, mas reconheceu que situações emergenciais exigem a definição de prioridades.

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“Eu não vou deixar uma criança passar fome em vez de contratar um show”, afirmou. Na sequência, ponderou que os trabalhadores envolvidos na realização de eventos também dependem economicamente da atividade.

Manzoni disse que pretende defender o orçamento da cultura e argumentou que o setor possui impacto relevante na geração de empregos. Os dados apresentados por ele durante a entrevista, no entanto, não foram acompanhados da indicação das fontes utilizadas.

Recursos e projetos fora da Região Metropolitana

Outra proposta apresentada foi a descentralização dos editais culturais. Manzoni afirmou que os recursos precisam chegar de maneira mais equilibrada às diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Ao comentar a aplicação da Política Nacional Aldir Blanc, o candidato alegou que aproximadamente 80% dos projetos estaduais teriam ficado concentrados na Região Metropolitana de Porto Alegre. A informação foi apresentada por Manzoni e não foi detalhada ou confrontada com dados oficiais durante o programa.

O candidato disse que, se eleito, pretende reunir produtores para discutir ajustes nas políticas de incentivo. Também prometeu manter no gabinete uma pessoa encarregada de orientar municípios, artistas e produtores sobre projetos, editais e mecanismos de captação de recursos.

Incentivo ao turismo e organização regional

No turismo, Manzoni fez críticas à ausência de uma política estadual de longo prazo. Para ele, as frequentes mudanças no comando da secretaria responsável pelo setor prejudicam a continuidade das ações.

O candidato defendeu uma organização regionalizada, com participação de prefeituras, entidades, produtores e iniciativa privada. A proposta considera que cada região possui características próprias e, por isso, não deveria ser atendida por um único modelo estadual.

Manzoni também sugeriu a criação de uma lei de incentivo específica para o turismo, nos moldes dos mecanismos existentes para a cultura. Os recursos poderiam financiar eventos, qualificação de empreendedores e cursos nas áreas de gastronomia, hotelaria e preservação do patrimônio.

As condições das rodovias da Serra Gaúcha também apareceram entre as preocupações. O candidato reconheceu que deputados estaduais possuem menos recursos para emendas do que os parlamentares federais, mas disse que pretende articular verbas com outras esferas. Como exemplo, mencionou a possibilidade de buscar apoio do senador Hamilton Mourão, também filiado ao Republicanos.

Apoio a Flávio Bolsonaro

O momento de maior definição política da entrevista ocorreu quando Manzoni foi questionado sobre a neutralidade nacional do Republicanos na eleição presidencial. Falando em caráter pessoal, ele declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

“Eu não vejo outra alternativa, a não ser a mudança para o Flávio Bolsonaro”, afirmou. Manzoni ressaltou que a posição ainda seria discutida pelo diretório municipal do Republicanos, presidido por ele, mas disse não querer “ficar em cima do muro”.

A manifestação evidencia uma distinção entre a estratégia nacional da legenda e o posicionamento do candidato. O Republicanos decidiu não formalizar apoio presidencial no primeiro turno, deixando seus integrantes e diretórios locais com maior liberdade de atuação.

Na disputa estadual, Manzoni também sinalizou alinhamento com a candidatura de Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul. Segundo ele, uma eventual vitória de Zucco permitiria a construção de uma ponte entre suas propostas e o Executivo estadual.

Turismo nas escolas

Ao ser questionado sobre o primeiro projeto que apresentaria caso fosse eleito, Manzoni disse que pretende iniciar uma discussão sobre o ensino do turismo nas escolas públicas.

A ideia, já aplicada por meio de uma lei municipal em Monte Belo do Sul, segundo o candidato, seria levar aos estudantes conhecimentos sobre história, cultura, tradições locais, patrimônio e cidadania. Para Manzoni, atitudes como conservar os espaços públicos e conhecer as atrações da própria região também fazem parte da formação turística.

Embora tenha apresentado essa iniciativa como prioridade, o candidato não detalhou durante a entrevista de que maneira o conteúdo seria incorporado ao currículo estadual, nem indicou custos, carga horária ou eventuais parcerias para sua implementação.

Campanha busca ampliar base regional

Manzoni reconheceu que Monte Belo do Sul, sua principal base eleitoral, não seria suficiente para sustentar uma candidatura à Assembleia Legislativa. Por isso, disse que pretende concentrar esforços em Bento Gonçalves, Garibaldi e demais municípios da Serra, além de buscar apoio entre trabalhadores da cultura em outras regiões do Estado.

O vereador de Bento Gonçalves Volmar Giordani foi citado como um dos principais apoiadores da candidatura. Manzoni também destacou o envolvimento de integrantes do Republicanos e de pessoas ligadas aos eventos que organiza.

Ao final do programa, o candidato ampliou a lista de temas que pretende acompanhar, mencionando infraestrutura, empreendedorismo, redução da burocracia, saúde, educação, esporte, acessibilidade e bem-estar animal.

A entrevista consolidou a estratégia de Manzoni de apresentar a experiência municipal e a atuação cultural como diferenciais eleitorais. O próximo passo da campanha será transformar essas bandeiras em propostas legislativas mais detalhadas, com definição de orçamento, competências estaduais e mecanismos de execução.