O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto. A confirmação ocorreu durante entrevista coletiva na sede nacional do PL, em Brasília.
A escolha de Gaspar resulta em uma chapa formada exclusivamente por integrantes do PL e encerra um período de negociações com outras legendas. Durante a pré-campanha, aliados de Flávio buscaram atrair partidos como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, mas as siglas optaram pela neutralidade na eleição presidencial.
Participaram do anúncio nomes que chegaram a ser considerados para a vaga, entre eles a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos.
A definição ocorreu no último dia permitido para a realização das convenções partidárias. De acordo com o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, partidos e federações tiveram de 20 de julho a 5 de agosto para escolher formalmente seus candidatos. Os pedidos de registro das chapas poderão ser apresentados à Justiça Eleitoral até as 19h de 15 de agosto.
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto é advogado, deputado federal por Alagoas e presidente estadual do PL. Antes de ser escolhido para compor a candidatura presidencial, ele chegou a ser anunciado pelo partido como candidato ao Senado por Alagoas.
Gaspar passou 24 anos no Ministério Público alagoano. Ingressou na instituição como promotor de Justiça, em 1996, e exerceu o cargo de procurador-geral de Justiça entre 2017 e 2020. Também presidiu o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas, o Gecoc.
A segurança pública ocupa lugar central em sua trajetória profissional e política. Gaspar comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos e teve atuação voltada ao enfrentamento do crime organizado e da violência.
Sua primeira disputa eleitoral ocorreu em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió pelo MDB. Ele avançou ao segundo turno, mas foi derrotado por João Henrique Caldas, o JHC.
Dois anos depois, então filiado ao União Brasil, Gaspar foi eleito deputado federal por Alagoas. Na Câmara, concentrou sua atuação em temas relacionados à segurança pública, ao combate à corrupção e ao endurecimento da legislação penal. Em 2026, deixou o União Brasil, ingressou no PL e assumiu a presidência estadual da legenda.
O deputado ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que investigou fraudes envolvendo benefícios de aposentados e pensionistas.
O parecer elaborado por Gaspar tinha mais de 4 mil páginas e recomendava o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A inclusão no relatório representava uma recomendação parlamentar e não uma condenação judicial.
Após sete meses de investigação, o texto foi rejeitado por 19 votos a 12. Com isso, a comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final, conforme informou o Congresso Nacional.
Antes de confirmar Gaspar, Flávio Bolsonaro declarou preferência por uma mulher de outro partido para ocupar a vaga de vice. A estratégia buscava ampliar a composição política da candidatura e reduzir a resistência enfrentada pelo pré-candidato entre o eleitorado feminino.
Tereza Cristina esteve entre os nomes mais cotados. Ex-ministra da Agricultura, a senadora era considerada capaz de aproximar a chapa do agronegócio, do setor produtivo e das eleitoras. Flávio afirmou ter feito o convite e disse que ela teria aceitado, mas a decisão do PP de permanecer neutro inviabilizou a composição.
Também foram mencionadas nas articulações a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, e Daniella Marques. As conversas, porém, não avançaram.
Com o esgotamento das negociações e a proximidade do prazo eleitoral, o PL optou por uma solução interna. A indicação de Alfredo Gaspar preserva a unidade partidária e acrescenta à chapa um nome associado às áreas de segurança pública e combate à corrupção, mas também confirma a dificuldade de Flávio Bolsonaro em ampliar formalmente sua aliança para além do próprio partido.