Região Operação
Aves de criatório investigado por suspeita de rinhas são abatidas
Medida foi adotada administrativamente pela Secretaria Estadual da Agricultura; defesa do empresário contesta a decisão e anuncia medidas judiciais.
04/08/2026 16h14
Por: Marcelo Dargelio

A Polícia Civil e a Secretaria Estadual da Agricultura realizaram, na manhã desta terça-feira (4), uma nova diligência no sítio do empresário Alexandre Bertoluci Júnior, em Gramado. Investigada por possível ligação com rinhas de galo, a propriedade teve todas as aves recolhidas e encaminhadas a um frigorífico para abate.

O transporte dos animais foi realizado com o auxílio de um caminhão. Conforme apurado, a destinação das aves não decorre de ordem judicial, mas de uma decisão administrativa da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, responsável pelos animais apreendidos.

Em nota, Bertoluci manifestou “profunda tristeza e inconformidade” com a medida. Segundo o empresário, as aves eram saudáveis e recebiam alimentação adequada, acompanhamento permanente de médico-veterinário e manejo especializado.

A defesa sustenta que o local funcionava como um criatório destinado ao aprimoramento genético avícola e que seria resultado de anos de trabalho. Os advogados também alegam que existiriam alternativas capazes de preservar os animais.

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“Além do irreparável prejuízo ao patrimônio genético do criatório, causa perplexidade que animais reconhecidamente bem cuidados sejam eliminados dessa forma”, afirma um trecho da manifestação.

Os defensores informaram que acompanharão os desdobramentos do caso e adotarão as medidas judiciais cabíveis para questionar a necessidade e a proporcionalidade do abate.

Investigação começou em julho

A propriedade já havia sido alvo de uma operação da Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente entre os dias 16 e 17 de julho. Na ocasião, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão — um em Gramado e dois em Igrejinha.

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De acordo com a Polícia Civil, aproximadamente 1,5 mil aves foram encontradas nos locais investigados, parte delas em condições classificadas como maus-tratos. Os animais seriam da raça mura, conhecida pelo elevado valor comercial. Conforme o delegado Gustavo de Mattos Brentano, alguns exemplares podem alcançar preços entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

Durante a operação, a polícia também informou ter apreendido celulares, documentos relacionados à possível comercialização das aves e uma arma de fogo. Os materiais permanecem sob análise.

Após a primeira ação, os animais ficaram sob a responsabilidade das secretarias municipais do Meio Ambiente de Gramado e Igrejinha e da Secretaria Estadual da Agricultura.

A investigação procura esclarecer a origem e a destinação das aves, a possível realização de rinhas de galo e o eventual envolvimento dos investigados em associação criminosa. Até o momento, não houve divulgação de conclusão do inquérito.

Defesa nega irregularidades

Desde a primeira operação, os advogados Lúcio de Constantino e Guilherme Pretto contestam as suspeitas. A defesa afirma que não foi encontrado “nada de excepcional ou criminoso” na propriedade de Bertoluci e sustenta que armas, celulares e outros materiais não teriam sido apreendidos especificamente no sítio do empresário.

O caso ganhou repercussão nacional e internacional porque Alexandre Bertoluci Júnior é cunhado do jogador português Cristiano Ronaldo. O parentesco, contudo, não tem relação conhecida com os fatos investigados.

Enquanto a Polícia Civil mantém as apurações sobre possíveis crimes ambientais e rinhas de galo, a defesa questiona a legalidade e a proporcionalidade das medidas adotadas. Os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.