Saúde Maternidade
Agosto Dourado reforça importância da amamentação e assédio das fórmulas infantis
Campanha de 2026 foca no aleitamento sustentável; Sociedade Brasileira de Pediatria adverte sobre pressão do mercado e uso inadequado de bicos artificiais
01/08/2026 14h49
Por: Redação
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O início do mês marca a abertura da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) e a mobilização do Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo e à proteção da amamentação no Brasil. Em 2026, o tema trabalhado internacionalmente é "Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona", diretriz que orienta as ações do Ministério da Saúde no combate à desnutrição e no fortalecimento da saúde infantil.

Em meio às mobilizações, especialistas fazem um alerta para os obstáculos impostos pelo assédio comercial da indústria de alimentos na prescrição de fórmulas infantis. A médica Rossiclei Pinheiro, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP), ressalta que as fórmulas são consideradas alimentos ultraprocessados e devem ser utilizadas apenas sob recomendação médica específica, como em casos de restrições de saúde da mãe ou alergias do bebê.

Proteção legal e impactos socioeconômicos

No Brasil, a comercialização de substitutos do leite materno é regida pela Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL - Lei 11.265/2006). A legislação proíbe o patrocínio financeiro a profissionais de saúde e impede propagandas enganosas ou o uso de imagens que induzam a dúvida sobre a capacidade materna de amamentar. A SBP também desestimula o uso de mamadeiras e chupetas, apontando que bicos artificiais causam a chamada "confusão de bicos" e levam ao desmame precoce.

Metas e benefícios até 2030: Além dos benefícios imunológicos diretos para a criança, o aleitamento materno gera economia financeira para as famílias e reduz o absenteísmo no trabalho por doenças infantis. O Brasil, que evoluiu de 4,7% de amamentação exclusiva nos anos 1980 para 45,8% em 2019, estabeleceu a meta nacional de alcançar 70% de aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses de vida até o ano de 2030.

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