Tecnologia IA
Aliança com a China traz oportunidade para a soberania digital do Brasil
Participação do país na criação da Waico contrasta com o projeto norte-americano Pax Silica e exige investimentos em infraestrutura própria de dados
01/08/2026 14h44
Por: Redação
Foto: Reprodução

O Brasil figura entre os 29 países que assinaram a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), iniciativa com sede em Xangai, na China. O objetivo da organização é desenvolver uma estrutura de governança global de inteligência artificial baseada em modelos de código aberto, permitindo o acesso e o desenvolvimento da tecnologia por qualquer país ou organização.

A proposta liderada por Pequim estabelece um contraponto direto ao projeto dos Estados Unidos para o setor, batizado de Pax Silica. A iniciativa norte-americana busca reunir aliados estratégicos de Washington para controlar as cadeias globais de suprimento de semicondutores, minerais críticos, dados e energia.

Desafios de infraestrutura e autonomia nacional

Especialistas em IA ouvidos pela reportagem apontam que a inserção do Brasil na Waico representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento da soberania digital do país, desde que haja investimentos internos em infraestrutura. Segundo o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Sérgio Amadeu da Silveira, embora o Brasil possua importantes centros de pesquisa, ainda depende de fornecedores estrangeiros para processamento e armazenamento de dados em nuvem.

Paralelamente, o especialista em governança de IA Ettore Arpini ressalta que o país ocupa uma posição privilegiada na diplomacia internacional, com capacidade de transitar entre projetos ocidentais e orientais, devendo tratar a inteligência artificial não apenas de forma setorial, mas como uma vantagem geopolítica e econômica.

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Visão da ONU e reação dos EUA: A busca por uma governança intergovernamental e inclusiva de IA é defendida tanto pelo governo brasileiro quanto pela ONU. Presente no lançamento da Waico, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou que a tecnologia "deve ser moldada por toda a humanidade". Em contrapartida, representantes do governo dos Estados Unidos criticam a ideia de soberania digital nos moldes propostos pela ONU, sustentando que os países obteriam melhores resultados ao utilizar a infraestrutura já consolidada pelas empresas norte-americanas.