O Partido Progressistas (PP) anunciou nesta sexta-feira (31) que manterá neutralidade na disputa presidencial deste ano, decisão que inviabiliza a ida da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidata a vice-presidente.
Em nota, a direção nacional do partido afirmou que consultou os diretórios estaduais e decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. Segundo o texto, "a decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina".
Versões divergentes
O anúncio do PP ocorreu praticamente no mesmo horário em que Flávio Bolsonaro, em entrevista coletiva em São Paulo, afirmava que havia convidado Tereza Cristina para ser sua vice e que ela teria aceitado o convite. Na quinta-feira (30), a senadora havia confirmado que se reuniu com o senador para tratar da possibilidade.
Com a definição do partido, Flávio segue sem nome definido para a vice-presidência.
O que vinha sendo negociado
Tereza Cristina era citada há meses como uma das principais cotadas para a vaga. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, ela é vista como um nome com potencial de diálogo com o eleitorado feminino, o agronegócio e o setor produtivo. Em abril, Flávio chegou a dizer publicamente que a senadora era "o sonho de consumo de todo mundo" quando questionado sobre a vice.
A senadora, porém, vinha demonstrando resistência à ideia e indicava a intenção de disputar a presidência do Senado. Seu mandato vai até 2031.
Os próximos passos
Com a negativa do PP, a campanha passa a se voltar ao Republicanos, na tentativa de evitar uma chapa formada apenas pelo PL e ampliar o tempo de televisão. Entre as opções cogitadas está a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao partido, que tem colaborado na elaboração do plano de governo.
Presidido pelo deputado federal Marcos Pereira (SP), o Republicanos ainda não definiu posição na disputa presidencial. Segundo o Estadão, Pereira condiciona um eventual apoio a concessões do PL em palanques estaduais.