Uma poderosa massa de ar de origem antártica provocou uma das ondas de frio mais intensas da história recente na Patagônia argentina, resultando em marcas congelantes e recordes históricos em diversas localidades do país vizinho.
O Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina chegou a emitir alerta vermelho para temperaturas extremas nas províncias de Santa Cruz e Chubut, onde vastas áreas registraram marcas inferiores a -10°C e -18°C. O ponto mais gélido registrado no período foi a localidade de Tapi Aike, onde os termômetros despencaram para -24,7°C, com máxima que não passou dos -3,3°C.
Conhecida mundialmente por ser a porta de entrada para o Parque Nacional Los Glaciares, a cidade turística de El Calafate registrou a menor temperatura de sua série histórica, ao atingir -17,6°C. O município enfrentou uma sequência de seis dias consecutivos sob critérios de onda de frio extrema, entre 18 e 23 de julho, período em que a maior temperatura máxima registrada foi de apenas 1,4°C.
Outras cidades argentinas também registraram valores congelantes:
Gobernador Gregores: -17,0°C;
Río Gallegos: -15,4°C (com máxima de -7,2°C e registro de -9,7°C em pleno meio da tarde);
Perito Moreno: -13,8°C;
Paso de Indios: -13,1°C;
Santa Cruz: -10,4°C.
Segundo análises meteorológicas, a intensidade extraordinária deste evento de frio na Patagônia tem forte relação com a atuação do fenômeno El Niño. Embora seja tradicionalmente associado ao aumento de chuvas no Sul do Brasil e centro da Argentina, o aquecimento anômalo do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica global.
Impacto climático: Essa alteração na circulação fortalece o fluxo de sistemas frontais, criando condições para que massas de ar polar de origem antártica avancem com maior frequência e vigor sobre o extremo Sul do continente americano.