Saúde Alimentação
Itália enfrenta explosão de obesidade infantil e juvenil
País onde apenas 10% da população segue o padrão alimentar tradicional vê o sul virar epicentro do excesso de peso; legislação pioneira reconhece obesidade como doença crônica
27/07/2026 10h13
Por: Redação
Foto: Getty Images

Apontada durante décadas como o modelo global de alimentação saudável e berço espiritual da dieta mediterrânea, a Itália vivencia uma transformação preocupante em seus índices de saúde pública. Atualmente, as crianças e adolescentes italianos estão entre os que mais apresentam excesso de peso na Europa, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A situação atinge níveis críticos na região da Campânia, no sul do país. Em áreas como a cidade de Ponticelli, nos arredores de Nápoles, mais de 40% das crianças de oito e nove anos estão acima do peso. A mudança no perfil dos pacientes é sentida diariamente nos hospitais, onde médicos relatam atender adolescentes com obesidade severa buscando cirurgias bariátricas ou tratamentos com injeções de GLP-1.

O fim do padrão tradicional e os "cinco Ps"

A dieta mediterrânea clássica — marcada pelo consumo de vegetais, azeite de oliva, grãos integrais e peixes — deu lugar a um padrão alimentar dominado por produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas e opções de alta densidade calórica.

Segundo o médico Valter Longo, diretor do Instituto de Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia, apenas 10% dos italianos realmente seguem a dieta mediterrânea hoje. O especialista resume o hábito alimentar moderno do país no conceito dos "cinco Ps":

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Além das alterações nutricionais, fatores culturais e infraestruturais agravam o cenário. Muitas famílias não reconhecem o excesso de peso dos filhos como um problema de saúde, associando o biotipo mais robusto à saúde na infância. Paralelamente, muitas escolas funcionam em prédios antigos sem espaço adequado para a prática regular de educação física.

Legislação pioneira e debates sobre tratamento

Diante do avanço da condição, a Itália aprovou uma legislação nacional que reconhece oficialmente a obesidade como uma doença crônica, progressiva e reincidente, considerando fatores biológicos, ambientais e sociais em vez de tratar o problema apenas como resultado de escolhas individuais.

Divergência médica: A região da Campânia tem sido palco de projetos de conscientização em dezenas de escolas e testes clínicos. Entre as iniciativas debatidas está o estudo de uma "dieta que imita o jejum" para adolescentes. Enquanto defensores apontam potenciais benefícios para a reinicialização metabólica, pediatras alertam que restrições alimentares severas em jovens podem desencadear transtornos alimentares, como anorexia e dismorfia corporal.