Um advogado está entre os presos preventivamente na Operação Lei do Cão, deflagrada pela Polícia Civil na quinta-feira, 23 de julho, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A investigação apura um suposto esquema de extorsão ligado à comercialização informal de veículos no Vale do Sinos.
A ação cumpriu dois mandados de prisão preventiva, sete ordens de busca e apreensão e determinações judiciais de bloqueio de valores. O nome do advogado e dos demais investigados não foi divulgado. Também não foram informadas as quantias atingidas pelo bloqueio.
A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Esteio, sob a coordenação da delegada Marcela Smolenaars. Segundo a apuração policial, os investigados negociavam automóveis sem contratos devidamente formalizados. Depois da venda, os compradores seriam pressionados a devolver os veículos ou a fazer pagamentos adicionais. As ameaças, conforme a Polícia Civil, incluíam em alguns casos o emprego de armas de fogo.
Um dos episódios que fundamentaram a investigação envolve um comprador que teria desembolsado mais de R$ 100 mil por um automóvel. Mesmo após a quitação do valor combinado, homens ligados ao negócio teriam ido ao estabelecimento comercial da vítima, em Canoas, e retirado o veículo mediante intimidação armada. O carro foi então levado para uma revenda localizada em Esteio.
De acordo com a versão policial, um dos investigados teria dito à vítima que não adiantaria procurar um advogado ou comunicar o caso às autoridades, porque, em seus negócios, prevaleceria a “lei do cão”. A expressão acabou escolhida para identificar a operação.
A Polícia Civil informou ter localizado outros registros de ocorrência envolvendo ameaças e práticas semelhantes em negociações de veículos. Esses relatos levantaram a suspeita de repetição das condutas e da existência de outras vítimas na região.
As prisões preventivas foram solicitadas pela Delegacia de Esteio, receberam parecer favorável do Ministério Público e foram autorizadas pela Justiça. Conforme divulgado pela polícia, as medidas foram decretadas para resguardar a ordem pública e evitar possíveis novos delitos. Prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação.
Durante as buscas, outro homem foi preso em flagrante no escritório de uma revenda de veículos em Esteio. No local, os agentes encontraram três armas de fogo, uma delas com a numeração suprimida. Ele deverá responder, inicialmente, por posse ilegal de arma. As fontes consultadas não esclarecem se o preso em flagrante também é um dos alvos das ordens de prisão preventiva.
O delegado regional Cristiano Reschke afirmou que o combate às extorsões está entre as prioridades da Polícia Civil em Esteio, Canoas, Sapucaia do Sul e Nova Santa Rita. Segundo ele, registros de ocorrência e denúncias são fundamentais para que outros episódios sejam identificados e investigados.
Após o cumprimento das ordens judiciais, os presos foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça. O inquérito continua aberto para esclarecer a atuação individual de cada investigado, analisar o material apreendido e localizar eventuais novas vítimas.
Até a manhã desta sexta-feira, 24 de julho, as reportagens disponíveis não apresentavam manifestação das defesas dos presos nem posicionamento específico da OAB/RS sobre a prisão do advogado. Os investigados devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
Reportagem elaborada com informações divulgadas pela Polícia Civil e publicadas pelo ABC+, pela Rádio Acústica FM e pelo DuduNews.