O fenômeno El Niño alcançou uma intensidade sem precedentes para o mês de julho, segundo análise divulgada pela MetSul Meteorologia com base em dados do Oceano Pacífico e modelos climáticos globais. O aquecimento das águas na região central-leste do Pacífico ultrapassou a marca de +2°C (registrando entre +2,1°C e +2,2°C na área Niño 3.4), patamar característico de eventos de altíssima gravidade, conhecidos informalmente como "Super El Niño".
A precocidade da marca é o fator que mais chama a atenção de meteorologistas. Historicamente, anomalias nesse nível só costumam ser atingidas no decorrer da primavera, entre os meses de setembro e novembro — como no evento de 2015-2016, quando o patamar só foi alcançado em meados de setembro.
Caso as projeções se confirmem ao longo do segundo semestre, o episódio de 2026-2027 pode se transformar no mais severo desde o início das medições instrumentais no planeta.
Modelos de centros internacionais — como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI/Columbia) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) — indicam fortalecimento contínuo durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul.
A mediana das estimativas aponta que o Índice Oceânico de El Niño (ONI) poderá alcançar cerca de +3,6°C no fim de 2026. Esse valor superaria o recorde histórico do evento de 1997-1998, um dos mais destrutivos já documentados.
O El Niño altera drasticamente os padrões de circulação atmosférica globais. No Brasil, o fenômeno tende a provocar estiagens no Norte e Nordeste, enquanto concentra grande volume de precipitação no Sul do país.
Se a intensidade projetada se mantiver, a Região Sul deve se preparar para um aumento expressivo de eventos meteorológicos extremos nos próximos meses, incluindo:
Precipitações expressivas: Chuvas frequentemente acima da média durante a primavera e o verão;
Inundações: Elevação considerável no risco de enchentes e alagamentos em bacias hidrográficas;
Tempestades severas: Alta incidência de temporais acompanhados de vendavais e queda de granizo.
Ressalva técnica: Especialistas reforçam que projeções de longo prazo possuem margem de incerteza. A confirmação do recorde dependerá da manutenção do acoplamento entre a temperatura do oceano e a resposta da atmosfera nos próximos meses.