Um escrivão da Polícia Civil do Rio Grande do Sul está preso preventivamente na Casa de Custódia Policial (CCP), em Porto Alegre, sob a suspeita de cometer graves delitos no exercício da função pública. O agente Lucas Santos, de 30 anos, atua na instituição desde 2020 e construiu sua carreira no Vale do Sinos, acumulando passagens pela 1ª e 2ª Delegacias de Polícia de São Leopoldo e, mais recentemente, pela DP de Estância Velha.
O policial é alvo de três investigações distintas conduzidas pelas autoridades estaduais:
Desvio de entorpecentes: O escrivão é suspeito de ter desviado pelo menos 10 quilos de cocaína apreendidos durante operações policiais no Vale do Sinos. Segundo a apuração, ele teria utilizado um informante ligado ao crime organizado para operacionalizar a retirada da droga;
Tortura: Em outro inquérito, Santos é investigado por amarrar e agredir fisicamente um informante — que é filho de outro policial civil — após suspeitar que o jovem teria furtado valores de sua residência;
Ligação com o tráfico: A terceira apuração aponta um suposto envolvimento do escrivão com traficantes atuantes no município de Charqueadas, na Região Carbonífera. Foi justamente este caso que motivou o pedido e a decretação de sua prisão preventiva pela Justiça.
Em nota oficial, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol) informou que cumpriu o mandado de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão em uma ação conjunta com o Departamento de Polícia Metropolitana (DPM) e o Departamento de Polícia do Interior (DPI). O órgão destacou que o repasse de detalhes é limitado no momento para preservar a coleta de provas e o andamento das diligências.
A defesa do policial, representada pelos advogados Rafael Ariza e Francis Beck, declarou que teve acesso parcial ao inquérito e assegurou que todos os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo. Os defensores avaliarão a aplicação de medidas judiciais para buscar a soltura do escrivão, argumentando que ele se encontra afastado das funções operacionais e não representa risco que justifique a manutenção da prisão preventiva.