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Justiça decreta a falência do Grupo Ditália
A operação segue funcionando, os salários dos 101 funcionários e os pagamentos a fornecedores estão sendo feitos normalmente, segundo o administrador judicial, enquanto corre o processo de venda da empresa.
17/07/2026 17h05
Por: Marcelo Dargelio

A Justiça decretou a falência do Grupo Ditália, uma das fabricantes de móveis mais tradicionais da Serra Gaúcha, após os credores rejeitarem o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa. A companhia, fundada em Bento Gonçalves há mais de três décadas e hoje instalada em Monte Belo do Sul, acumula dívida estimada em R$ 85 milhões.

Um ponto importante: a decretação da falência não significa o fechamento imediato da fábrica. A operação segue funcionando, os salários dos 101 funcionários e os pagamentos a fornecedores estão sendo feitos normalmente, segundo o administrador judicial, enquanto corre o processo de venda da empresa.

A decisão foi proferida pelo juiz André Dal Soglio Coelho depois que a assembleia de credores rejeitou o plano de reestruturação e recusou também a apresentação de uma nova proposta. Na tentativa de evitar a quebra, o grupo pediu a aplicação do chamado cram down — mecanismo que permite ao juiz aprovar um plano mesmo sem o aval da assembleia, em situações específicas. O magistrado entendeu, porém, que os requisitos legais para a medida não estavam presentes.

A empresa vai recorrer

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A defesa do Grupo Ditália informou que recorrerá. O advogado Thiago Crippa Rey sustenta que houve "irracionalidade econômica" na votação dos trabalhadores, uma das classes de credores. Segundo ele, mais de 60% dos credores de todas as categorias já haviam recebido seus créditos à vista e sem desconto — o que, na avaliação da empresa, demonstraria a viabilidade de continuar a recuperação judicial. A expectativa da defesa é reverter a decisão nas instâncias superiores.

A venda da operação

O administrador judicial da massa falida, Augusto Moreira Neto, informou que o objetivo é vender toda a operação em funcionamento, por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI). Nesse modelo, o comprador assume a estrutura industrial em atividade — clientes, contratos, equipamentos e parte dos postos de trabalho.

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As propostas de compra podem ser apresentadas até 30 de setembro. Se houver apenas uma oferta, a venda será direta; havendo mais interessados, um leilão judicial definirá o novo controlador.

35 anos de história

Fundado em 1990, em Bento Gonçalves, o Grupo Ditália começou produzindo estofados em uma sala de cerca de 70 metros quadrados. Com o crescimento, a fábrica foi transferida para Monte Belo do Sul e se tornou uma das empresas tradicionais do polo moveleiro. No auge, chegou a empregar cerca de 600 trabalhadores — hoje são 101, que seguem em atividade enquanto a Justiça conduz o processo.

A expectativa dos envolvidos é que a venda da operação preserve a produção e parte dos empregos de uma das marcas mais conhecidas do setor na região.