Geral Opinião
Six Seven, Farmar Aura, Brain Rot. O que uma coisa tem a ver com a outra? E o que tem a ver com a nossa vida?
Orides Rodrigues da Silva fala sobre os movimentos que só as gerações Z e Alfa entendem.
17/07/2026 09h25
Por: Marcelo Dargelio

Pra quem convive com as gerações Z e Alfa.(Parece que ouço perguntas. O que é isso?)

Vamos as explicações:

Geração Z: nascidos entre 1997 e 2012, em 2026 com 14 a 29 anos.
Geração Alfa: nascidos entre 2010 e 2024, em 2026 com 2 a 16 anos.

Beleza? Tudo esclarecido?

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Pois bem, os movimentos Six Seven e Farmar Aura são movimentos que nasceram nos EUA. (Enquanto exportamos commodities, importamos aculturação).

Six Seven (67) – tem referência ao atleta de basquete LaMelo Ball, cuja altura é de 6 pés e 7 polegadas (6'7"), ou 2,01 metros. Em 2024, o rapper Skrilla lança a música "Doot Doot (6 7)", que passa a ser usada em vídeos de basquete no TikTok, onde aparece LaMelo Ball. No ano de 2025, o youtuber Cam Wilder posta um vídeo viral mostrando um menino fazendo movimentos, como se estivesse jogando uma bola de uma mão para outra e falando "6 7".

Já o Farmar Aura são duas palavras do mundo dos gamers (jogadores de videogame).
Farmar é acumular recursos, experiência ou pontos no jogo. Aura é uma palavra usada como forma de medir carisma, a presença ou o "nível de respeito" de alguém. Quanto mais aura, melhor. Em 2024 surgiu a expressão "Farmar Aura", com o significado de "ganhar carisma" ou "aumentar a reputação" por meio de atitudes estilosas ou marcantes. 2025 foi o ano em que o termo se popularizou entre jovens nos Estados Unidos, principalmente no TikTok, em vídeos de esportes e animes. No segundo semestre de 2025, a expressão começou a aparecer com frequência em vídeos brasileiros, até que, por volta de março a junho de 2026, "Farmar Aura" virou um fenômeno no Brasil, sendo usada em memes e comentários nas redes sociais. Surgiram até campeonatos presenciais inspirados no meme.

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Dali em diante, tudo foi ladeira abaixo. "Péra", nem tudo. Será?

Eis que uma influenciadora brasileira, Giuliana Mafra, decidiu desenvolver um antídoto contra o 67, o tal Four Two (42). Até parece mais inteligente, pois é o resultado da multiplicação de 6 × 7. Porém, não deixa de ser mais um Brain Rot.

Ah!!! Já estava esquecendo do Brain Rot.
Brain Rot, ou "apodrecimento cerebral", é a exaustão mental causada pelo consumo excessivo de conteúdos digitais rápidos e superficiais (como Reels e TikTok). O que leva a um declínio cognitivo. Pura falta de noção da realidade, já que não gosto de usar o termo burrice (o animal não tem nada a ver com isso).
Especialistas alertam que a exposição exagerada a esses conteúdos digitais bombardeia o cérebro com dopamina, viciando o usuário em recompensas imediatas.
Tente observar estes sintomas:
* Dificuldade severa de concentração e foco;
* Cansaço mental e apatia;
* Perda de criatividade e pensamento crítico;
* Falta de interesse em atividades que não envolvam telas.

Alguém já viu esses sintomas em alguns alunos na escola? Ou mesmo no seu filho em casa?
Diga aí.
Será que é possível parar essa pandemia?

Talvez, desde que se consiga limitar o tempo de tela, buscando passatempos estimulantes, como:
* Pintar, bordar, tricotar...
* Ler algo prazeroso;
* Caminhar na natureza;
* Ouvir boa música (aos que desejarem, peçam dicas);
* Conversar com amigos;
* Meditar ou simplesmente contemplar uma paisagem.

Vale observar que o problema não é o "67", o "42" ou o próximo meme que possa aparecer por aí. Memes passam, mas deixam hábitos. Quando nossa atenção é levada pelos algoritmos, corremos o risco de perder aquilo que nos torna humanos: a capacidade de contemplar, refletir, criar e conversar profundamente.