O presidente da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves, Anderson Zanella (PL), vai abrir a nova sede do Legislativo para uma série de visitas a partir de segunda-feira (20). Os primeiros convidados serão representantes de entidades locais e veículos de imprensa; numa segunda etapa, o presidente pretende receber escolas do município. As visitas devem ocorrer três dias por semana.
O anúncio foi feito pelo vereador Zanella na sessão da Câmara da segunda-feira, 13. A iniciativa acontece em meio ao debate sobre o custo da obra, que já ultrapassou os R$ 27 milhões e se tornou um dos temas mais controversos da política local. Pela descrição do próprio presidente, a abertura para visitas funciona como uma tentativa de ampliar as explicações sobre o investimento e reduzir os questionamentos.
Zanella voltou a defender o valor investido. Afirmou que a cidade precisa de uma sede compatível com seu porte econômico e institucional. "Nós temos que ter um equipamento público que não é dos vereadores, é da comunidade, e tem que ser do tamanho de Bento Gonçalves, com condições mínimas para trabalhar e representar a população", disse.
O presidente afirmou ter herdado a obra com 67% da área já construída e sustentou que a decisão de concluí-la rapidamente evitou custos maiores no futuro. Segundo ele, se a obra fosse interrompida ou adiada, poderia custar de cinco a seis vezes mais — um cálculo que ele não detalhou publicamente.
Entre os espaços que pretende mostrar, Zanella destacou uma Sala de Gestão de Crise, com sistema próprio de energia e internet, que poderia funcionar de forma autônoma em emergências. Segundo ele, em situações como as enchentes de 2024, com queda de energia e de sinal, a estrutura poderia servir de ponto de apoio para reuniões, organização de ações e pedidos de socorro.
O que ainda não foi explicado
Apesar da defesa, dois pontos seguem sem esclarecimento. O primeiro é a praça em frente ao prédio, orçada em R$ 3,2 milhões: Zanella não detalhou, em sua fala na tribuna, os motivos da construção nem como o espaço deverá ficar futuramente. A futura praça ainda está em obras, e não há como definir de que forma ela será montada.
O segundo, e mais aguardado, é o dossiê com a relação detalhada dos gastos da obra. O documento foi prometido pelo próprio presidente no início do ano e, até agora, não veio a público. Novamente, o presidente da Câmara muda de discurso e agora fala que basta as pessoas entrarem no portal da transparência e irão ter os detalhes dos valores da obra. A abertura da obra para visitas permite ver o prédio, mas não substitui a prestação de contas detalhada dos valores.