Um dos foragidos do assalto ao aeroporto de Caxias do Sul, o maior roubo da história do Rio Grande do Sul, foi preso na Bolívia e já está em território brasileiro. Fabrício Salvador da Silva, apontado pela Polícia Federal como um dos criminosos que agiram diretamente na pista do aeroporto durante o ataque, foi detido no sábado (11) e transferido no mesmo dia para Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Ele deve ser levado a uma penitenciária de segurança máxima.
Ele estava escondido no interior da Bolívia, usando nome falso, no Departamento de Santa Cruz de la Sierra, região próxima ao Mato Grosso do Sul. Por causa do crime de uso de identidade falsa, foi expulso do país boliviano — procedimento que dispensa a extradição e permitiu a transferência imediata. Contra ele havia prisão preventiva decretada pela Justiça brasileira em razão do assalto.
Segundo a investigação, Fabrício é ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e responde pelo latrocínio do policial militar morto durante o confronto que se seguiu ao roubo. Ele é indiciado e denunciado, mas ainda não foi julgado nem condenado por esse crime.
A prisão foi possível após informações repassadas às autoridades bolivianas pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul, com intermediação da Interpol e de adidos da PF na Bolívia. "É uma vitória", afirmou o delegado Márcio Teixeira, responsável pelas investigações.
Dois suspeitos seguem foragidos
De acordo com a PF, Fabrício teria se juntado na Bolívia a outros indiciados pelo ataque. Dois deles continuam foragidos em território boliviano: Alex Santos Pereira e Josemir Matias da Silva, ambos também apontados como integrantes do PCC.
O caso
O assalto ocorreu em junho de 2024, quando uma quadrilha armada com fuzis atacou um avião-pagador no aeroporto Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, e levou cerca de R$ 30 milhões. Do total, R$ 15,6 milhões foram recuperados pela Brigada Militar após intensa troca de tiros. O confronto terminou com a morte do policial militar Fabiano Oliveira e de um dos assaltantes.
Até agora, a Polícia Federal prendeu 37 pessoas e indiciou 41 pelo caso. Dessas, 16 já foram condenadas, com penas que chegam a 64 anos de prisão, por crimes como latrocínio e associação criminosa. Outros indiciados aguardam julgamento.
Segundo as investigações, o grupo que atacou o aeroporto de Caxias é suspeito de ter cometido 25 grandes roubos ao longo de uma década.