Justiça Política
Flávio Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto
Decisão atende a pedido da Polícia Federal após investigação apontar esquema paralelo para direcionar verbas públicas na Câmara dos Deputados em benefício do presidente do PL
10/07/2026 22h53
Por: Redação
Flávio Dino determinou o bloqueio de mais de R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto. (Foro: Victor Piemonte / STF)

O cenário político e jurídico nacional foi sacudido por uma severa determinação oriunda da Suprema Corte. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de bens do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, até o limite de R$ 119,2 milhões. A decisão cautelar impõe também a suspensão imediata de 21 emendas parlamentares de comissão, cujos repasses teriam sido direcionados de forma irregular pelo dirigente partidário, que atualmente não ocupa cadeira ou cargo eletivo no Poder Legislativo.

A medida atende parcialmente a um pedido formulado pela Polícia Federal (PF) e baseia-se em desdobramentos da Operação Transparência, deflagrada originalmente em dezembro do ano passado. De acordo com o relatório dos investigadores, Valdemar teria estruturado uma engrenagem paralela de tomada de decisões dentro da Câmara dos Deputados. Contando com o auxílio de servidores públicos do órgão, o presidente do PL alocava falsamente deputados federais como os "solicitantes" formais das verbas, conferindo uma aparência de legalidade a indicações orçamentárias que atendiam estritamente a seus interesses políticos e pessoais, concentrando boa parte dos valores em municípios do estado de São Paulo.

Estrutura paralela, mensagens interceptadas e as medidas fixadas pelo STF

As provas técnicas colhidas pela inteligência policial expõem o funcionamento interno do suposto esquema de desvio funcional:

O que diz a defesa de Valdemar Costa Neto

Em manifestações oficiais, Valdemar Costa Neto negou veementemente qualquer participação em esquemas ilegais e afirmou que a indicação de emendas cabe aos líderes das bancadas.

A defesa do dirigente, representada pelo corpo jurídico dos advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, emitiu uma nota oficial afirmando que inexistam provas ou indícios mínimos de que o presidente do PL tenha agido de forma consciente para desviar recursos públicos. Os advogados classificaram a atuação de Valdemar como uma articulação política "natural e legítima" de um líder de partido junto à sua bancada dentro do regime democrático. A nota lamenta ainda a divulgação de investigações preliminares durante um período de alta sensibilidade institucional e informou que a defesa recorrerá ao pleno do STF para reverter o bloqueio financeiro e demonstrar a inocência de seu cliente.

Transparência pública e governança no cenário regional

As investigações que envolvem o direcionamento de emendas e a gestão do Orçamento Geral da União geram reflexos diretos na distribuição de receitas e no custeio de grandes obras em estados e municípios, exigindo de gestores locais uma governança corporativa cada vez mais rigorosa para evitar a contaminação de convênios.