O número de consumidores endividados no Rio Grande do Sul cresceu no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento do SPC Brasil compilado pela Federação Varejista do RS, o total de inadimplentes no Estado subiu 1,42% no acumulado desde janeiro. O valor médio das dívidas também aumentou: passou de R$ 5.264,13 em janeiro para R$ 5.596,36 em junho, uma alta de 6,3% em seis meses.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o quadro é mais acentuado. O volume de inadimplentes gaúchos cresceu 13,62% em junho na comparação anual, e o valor médio acumulado de dívidas por consumidor subiu quase 23% em um ano.
Os dados mostram também a dificuldade das famílias em sair da inadimplência. A maior parte dos devedores gaúchos, quase 40%, deve até R$ 1 mil — valores relativamente baixos —, mas em 35% dos casos as dívidas já se arrastam por um a três anos. Ou seja, o problema não é só contrair novas dívidas, mas conseguir quitar as antigas.
Apesar do saldo negativo no semestre, há um sinal positivo. Junho registrou o primeiro recuo do ano: queda de 1,25% no número de devedores em relação a maio, e redução de 1,07% no valor médio das dívidas na mesma comparação. Nos dois indicadores, a retração no Rio Grande do Sul foi maior do que a observada nas médias regional e nacional.
Para o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, os números refletem um momento de dificuldade econômica. Em sua avaliação, o cenário é agravado pelo que classifica como respostas insuficientes do governo federal na área econômica e pelos juros altos, que, segundo ele, encarecem o crédito e reduzem a capacidade de consumo das famílias. A análise é da entidade e reflete a posição do setor varejista.
Para o consumidor que está negativado, existem canais de renegociação de dívidas, como a plataforma operada pelo próprio SPC, que permite regularizar pendências e voltar a ter acesso ao crédito.