Geral População
Bento deve passar dos 150 mil habitantes na próxima década
Enquanto o RS deve começar a perder população a partir de 2027, Bento Gonçalves seguirá crescendo, apontou palestra do Bento+20 sobre o uso de dados no planejamento das cidades.
08/07/2026 23h18
Por: Marcelo Dargelio

Enquanto o Rio Grande do Sul se prepara para começar a perder população já a partir de 2027, Bento Gonçalves caminha na direção oposta: a projeção é de que a cidade ultrapasse os 150 mil habitantes até a metade da próxima década. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (8) em uma palestra do programa Bento+20, no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG).

A apresentação foi conduzida por Bruna Pengo, gerente de projetos do Instituto Cidades Responsivas, e teve como tema o conceito de "cidades responsivas" — a ideia de que o planejamento urbano deve ser guiado por inteligência de dados, e não apenas por percepções. "Hoje ainda trabalhamos com informações dispersas, em diferentes setores e instituições. O ideal é evoluirmos para uma rede distribuída, com uma base única de dados compartilhada", defendeu.

O ponto que mais chama a atenção do morador está nas projeções demográficas. Segundo os estudos apresentados, o Brasil vai interromper seu crescimento populacional nas próximas décadas, e no Rio Grande do Sul esse movimento é ainda mais acelerado. "A perspectiva é que a partir de 2027 nossa população já começa a cair. Então, o nosso último ano de crescimento populacional é esse ano", afirmou Bruna. Para ela, esse cenário exige repensar investimentos, infraestrutura, habitação e serviços públicos.

Bento Gonçalves, no entanto, aparece em situação favorável. De acordo com os dados da palestra, o município mantém perspectivas superiores às médias estadual e nacional, impulsionado pela economia, pelo turismo e pela qualidade de vida — o que sustenta a projeção de continuidade do crescimento e de aumento da demanda por moradia e serviços.

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Outro fator que deve mudar a lógica das cidades, segundo a palestrante, é a reforma tributária. Com a arrecadação passando a se concentrar no local de consumo, e não mais na origem da produção, os municípios precisarão se tornar mais competitivos para atrair moradores, visitantes e investimentos — inclusive pela qualidade dos espaços urbanos.

Como exemplo prático, Bruna apresentou um estudo feito para um empreendimento em Bento, o Jardins Dona Isabel, no qual análises de mobilidade, turismo, mercado imobiliário, infraestrutura e áreas verdes orientaram a concepção do projeto. Segundo ela, o objetivo de usar dados vai além de decidir onde construir: "Eles ajudam a entender o que a cidade precisa, como ela funciona e de que forma um projeto pode transformar todo o seu entorno".

O Bento+20 é um programa voltado a pensar a cidade do futuro, aproximando da sociedade discussões sobre desenvolvimento urbano de longo prazo.

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