O principal acesso ao bairro Verona, na Zona Sul de Bento Gonçalves, transformou-se em um verdadeiro gargalo e sinônimo de caos para os moradores locais. Há pelo menos três meses, o cruzamento das ruas José Giordani e Casemiro Frâncio é alvo de sucessivas e arrastadas intervenções de infraestrutura. Primeiro, foram as escavações da Corsan para a troca de tubulação; na sequência, iniciou-se uma obra municipal de contenção de talude para tentar solucionar antigos problemas de alagamento.
No entanto, a falta de planejamento e a lentidão extrema transformaram a rotina de quem precisa entrar ou sair do bairro em um pesadelo viário, marcado por asfalto destruído, falta crônica de sinalização e congestionamentos quilométricos em horários de pico.
A complexidade e a desorganização do trecho afetado impõem riscos diários aos motoristas. Sem placas indicativas eficientes ou bloqueios bem estruturados, parte da via permanece interditada de maneira improvisada. O morador Marciano Nicolodi de Souza traduz o sentimento de revolta da comunidade diante de uma situação que se estende sem um horizonte claro de resolução:
"Morar aqui tem sido um teste de paciência diário. A rua já sofria há anos com um asfalto precário devido a sucessivas intervenções antigas da Corsan que nunca eram bem finalizadas. Para piorar, iniciaram essa nova obra recente — que a gente nem sabe direito qual empresa ou órgão é responsável —, arrancaram grande parte da pavimentação e abandonaram o local desse jeito. Com o período de chuvas intensas, a falta de asfalto transformou a via em pura lama, gerando muita sujeira e transtorno. Além disso, como o trecho está danificado, os carros precisam desviar pela contramão. Como esta é uma das principais saídas do bairro, o impacto no trânsito é gigante: nos horários de pico, coincidindo com a saída dos funcionários da Todeschini, formam-se filas gigantescas e o fluxo fica completamente caótico. Precisamos de uma solução urgente, não dá para continuar esquecidos assim", desabafa.
Continua após a publicidade
A gravidade do problema estrutural na via de acesso ao Verona está amplamente documentada. Imagens capturadas no local revelam a real dimensão do abandono e os riscos oferecidos a quem trafega pela região:
O talude e a pista castigada expõem o enorme corte de terra na encosta lateral e a proximidade da pista sem qualquer barreira de proteção física consolidada.
Visão dos motoristas: A difícil trafegabilidade e a buraqueira na pista asfáltica são nítidas a partir do ponto de vista de quem dirige, evidenciando o asfalto completamente esburacado e remendado.
Sinalização precária: A ausência de orientação segura obriga o uso de meros cones de plástico jogados pela pista para isolar o perigo.
Questionada sobre o cronograma de finalização e os riscos gerados pela poeira, lama e tráfego na contramão, a Prefeitura de Bento Gonçalves limitou-se a enviar uma justificativa padrão e genérica, mantendo a população desinformada sobre os detalhes cruciais do projeto.
Em nota, o Executivo declarou:
"Foi executada uma obra de drenagem na Rua Casemiro Frâncio, no trecho em direção ao bairro Verona, com o objetivo de solucionar os recorrentes alagamentos registrados na região, especialmente no cruzamento com a Rua José Giordani. A intervenção já foi concluída. Neste momento, aguarda-se apenas a recomposição do pavimento. Devido às condições climáticas, com períodos de chuva e baixas temperaturas, não foi possível realizar a aplicação do asfalto, serviço que será executado assim que houver condições adequadas para garantir a qualidade da obra."
Como já virou costume, o posicionamento oficial peca pela escassez de dados e deixa dúvidas cruciais no ar, aumentando a desconfiança dos contribuintes. Diante do histórico de remendos mal-feitos criticado pelos moradores, resta questionar:
Com que qualidade a principal via de acesso será efetivamente entregue? O asfalto suportará o fluxo intenso de veículos pesados e a demanda diária do bairro?
Será feito o asfaltamento de todo o trecho danificado ou o município executará apenas "tapa-buracos" e reparos parciais em cima das valas abertas?
Qual é a data limite? Culpar o clima de inverno e a chuva é cômodo, mas qual o prazo real para que as máquinas voltem à pista?
A comunidade do Verona exige respeito, transparência e o fim do isolamento técnico provocado pela falta de informações claras da administração municipal.