Mobilidade Bento Gonçalves
Morosidade em obra vira teste de paciência no Verona
Com mais de três meses de intervenções entre Corsan e prefeitura, principal entrada do bairro na Zona Sul acumula lama, buracos e congestionamentos
08/07/2026 12h03
Por: Jonathan Zanotto
A complexidade e a desorganização do trecho afetado impõem riscos diários aos motoristas. (Foto: Marciano Nicolodi)

O principal acesso ao bairro Verona, na Zona Sul de Bento Gonçalves, transformou-se em um verdadeiro gargalo e sinônimo de caos para os moradores locais. Há pelo menos três meses, o cruzamento das ruas José Giordani e Casemiro Frâncio é alvo de sucessivas e arrastadas intervenções de infraestrutura. Primeiro, foram as escavações da Corsan para a troca de tubulação; na sequência, iniciou-se uma obra municipal de contenção de talude para tentar solucionar antigos problemas de alagamento.

No entanto, a falta de planejamento e a lentidão extrema transformaram a rotina de quem precisa entrar ou sair do bairro em um pesadelo viário, marcado por asfalto destruído, falta crônica de sinalização e congestionamentos quilométricos em horários de pico.

O relato do abandono: carros na contramão e lamaçal

A complexidade e a desorganização do trecho afetado impõem riscos diários aos motoristas. Sem placas indicativas eficientes ou bloqueios bem estruturados, parte da via permanece interditada de maneira improvisada. O morador Marciano Nicolodi de Souza traduz o sentimento de revolta da comunidade diante de uma situação que se estende sem um horizonte claro de resolução:

"Morar aqui tem sido um teste de paciência diário. A rua já sofria há anos com um asfalto precário devido a sucessivas intervenções antigas da Corsan que nunca eram bem finalizadas. Para piorar, iniciaram essa nova obra recente — que a gente nem sabe direito qual empresa ou órgão é responsável —, arrancaram grande parte da pavimentação e abandonaram o local desse jeito. Com o período de chuvas intensas, a falta de asfalto transformou a via em pura lama, gerando muita sujeira e transtorno. Além disso, como o trecho está danificado, os carros precisam desviar pela contramão. Como esta é uma das principais saídas do bairro, o impacto no trânsito é gigante: nos horários de pico, coincidindo com a saída dos funcionários da Todeschini, formam-se filas gigantescas e o fluxo fica completamente caótico. Precisamos de uma solução urgente, não dá para continuar esquecidos assim", desabafa.

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O registro visual do descaso

A gravidade do problema estrutural na via de acesso ao Verona está amplamente documentada. Imagens capturadas no local revelam a real dimensão do abandono e os riscos oferecidos a quem trafega pela região:

Resposta rasa e a falta de respostas claras do Poder Público

Questionada sobre o cronograma de finalização e os riscos gerados pela poeira, lama e tráfego na contramão, a Prefeitura de Bento Gonçalves limitou-se a enviar uma justificativa padrão e genérica, mantendo a população desinformada sobre os detalhes cruciais do projeto.

Em nota, o Executivo declarou:

"Foi executada uma obra de drenagem na Rua Casemiro Frâncio, no trecho em direção ao bairro Verona, com o objetivo de solucionar os recorrentes alagamentos registrados na região, especialmente no cruzamento com a Rua José Giordani. A intervenção já foi concluída. Neste momento, aguarda-se apenas a recomposição do pavimento. Devido às condições climáticas, com períodos de chuva e baixas temperaturas, não foi possível realizar a aplicação do asfalto, serviço que será executado assim que houver condições adequadas para garantir a qualidade da obra."

Questões

Como já virou costume, o posicionamento oficial peca pela escassez de dados e deixa dúvidas cruciais no ar, aumentando a desconfiança dos contribuintes. Diante do histórico de remendos mal-feitos criticado pelos moradores, resta questionar:

  1. Com que qualidade a principal via de acesso será efetivamente entregue? O asfalto suportará o fluxo intenso de veículos pesados e a demanda diária do bairro?

  2. Será feito o asfaltamento de todo o trecho danificado ou o município executará apenas "tapa-buracos" e reparos parciais em cima das valas abertas?

  3. Qual é a data limite? Culpar o clima de inverno e a chuva é cômodo, mas qual o prazo real para que as máquinas voltem à pista?

A comunidade do Verona exige respeito, transparência e o fim do isolamento técnico provocado pela falta de informações claras da administração municipal.