O Brasil se despede de um dos maiores contadores de histórias de sua televisão. O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, na capital paulista. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde o autor tratava complicações decorrentes de um quadro de insuficiência renal crônica. O velório foi marcado no Funeral Home, no bairro Bela Vista, no Centro de São Paulo, abrindo espaço para homenagens de fãs, colegas de profissão e familiares.
Com uma carreira monumental que atravessou mais de cinco décadas, Benedito Ruy Barbosa foi o principal responsável por descentralizar o eixo urbano das novelas brasileiras, transformando o campo, a lida da terra e o interior profundo do país em protagonistas absolutos da teledramaturgia nacional.
Nascido em Gália, no interior paulista, em 1931, Benedito conviveu desde a infância com colônias de imigrantes. Antes de consagrar-se nas telas, trabalhou como vendedor, faxineiro e revisor de jornal. Sua estreia na TV ocorreu em 1966 e, desde então, ele moldou a identidade cultural do país por meio de obras-primas:
Inovação com Pantanal (1990): Produzida na TV Manchete, a trama revolucionou o mercado audiovisual ao trocar os estúdios fechados por deslumbrantes locações externas, explorando a força e os mistérios do bioma brasileiro;
O Sucesso de Renascer (1993): De volta à TV Globo, criou a saga do coronel José Inocêncio nas fazendas de cacau da Bahia. A obra, assim como Pantanal, ganhou um aclamado remake décadas depois pelas mãos de seu neto, Bruno Luperi;
A Epopeia Italiana: Em O Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999), o autor resgatou a história dos imigrantes que vieram da Itália para trabalhar nos cafezais, discutindo paralelamente temas complexos como a reforma agrária e a posse de terras;
Engajamento e Poesia: Suas últimas obras de grande impacto incluíram o remake lúdico de Meu Pedacinho de Chão (2014) — onde superou barreiras da censura que haviam podado a versão original de 1971 — e Velho Chico (2016).
Marcados por personagens de bom caráter, dignidade e muita determinação para o trabalho, seus textos uniam romance com denúncia social. "Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor", definia o escritor.