Agricultura Crise no Campo
Safra de alho termina com prejuízo a produtores da Serra
Enquanto iniciam cultivo para 2027, agricultores de São Marcos e Farroupilha reduzem área plantada e alertam para o risco de abandono da atividade devido à concorrência da Argentina e da China
06/07/2026 11h18
Por: Redação
Foto: Reprodução

Os produtores de alho do Rio Grande do Sul enfrentam uma das crises mais severas da história recente da cultura. Enquanto dão os primeiros passos no plantio da safra de 2027, as famílias de agricultores ainda tentam equalizar as contas e cobrir os rombos financeiros deixados pela colheita anterior. Com os custos de produção operando muito acima do valor de mercado pago pelo quilo do produto, o setor relata prejuízos generalizados e alerta para o risco iminente de desabastecimento e abandono massivo da atividade tradicional na metade norte do Estado.

De acordo com a Associação Gaúcha de Produtores de Alho (Agapa), o principal fator para o colapso econômico das propriedades locais é a entrada massiva de alho importado, oriundo majoritariamente da Argentina e da China, que chega às gôndolas brasileiras com preços artificialmente baixos. Para tentar recuperar a competitividade, a categoria defende a ampliação e o fortalecimento de medidas de defesa comercial, como a aplicação rigorosa de taxas antidumping.

Prejuízos por hectare e estoques parados na Serra Gaúcha

A realidade nas propriedades rurais da Serra Gaúcha ilustra o descompasso financeiro que sufoca os pequenos produtores:

A crise provocou um encolhimento histórico na atividade. Segundo dados da Agapa, a região Sul do país, que já chegou a cultivar cerca de 8 mil hectares de alho no início da década de 1990, conta hoje com apenas 1,4 mil hectares — uma retração drástica de quase 85%. A perda de rentabilidade ameaça diretamente a sucessão familiar e a diversificação agrícola nas pequenas propriedades rurais.

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