O município de Lajeado, polo do Vale do Taquari, enfrenta uma crise preocupante no setor de bem-estar animal. Dados recentes divulgados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade (Sema) acendem o sinal de alerta devido ao aumento expressivo nas ocorrências de abandono de animais domésticos, em especial de cães, tanto na zona urbana quanto nos distritos rurais da cidade.
O reflexo direto dessa negligência recai sobre o Centro de Acolhimento Provisório de Animais (Capa) do município. A estrutura pública de Lajeado trabalha de forma contínua com sua capacidade física de lotação máxima estourada, o que compromete a logística de novos resgates de urgência e sobrecarrega os recursos públicos destinados à ração, medicamentos e procedimentos de castração e atendimento veterinário.
Diante do panorama crítico, o poder público e entidades parceiras buscam intensificar campanhas de conscientização focadas na guarda responsável:
Fiscalização e Denúncias: O setor de proteção ambiental da prefeitura atua no rastreamento de tutores irresponsáveis, utilizando imagens de videomonitoramento urbano para identificar veículos que desovam animais nas vias;
Consequências Jurídicas: As autoridades relembram que o ato de abandonar animais é crime previsto na Lei Federal nº 14.064/2020. A legislação enrijeceu a punição para maus-tratos a cães e gatos, estipulando pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda;
Adoção Responsável: Como forma de esvaziar o canil municipal, a Sema promove feiras de adoção e campanhas virtuais, destacando que acolher um animal exige planejamento financeiro e compromisso com o bem-estar do pet por toda a vida.
O aumento de animais errantes nas ruas também gera impactos associados à saúde pública, como o risco de proliferação de zoonoses e a ocorrência de acidentes de trânsito causados por atropelamentos nas rodovias periféricas.
A problemática do abandono e a superlotação de canis não é exclusiva do Vale do Taquari, repercutindo de maneira idêntica nas cidades vizinhas da metade norte do estado. Na Serra Gaúcha, o tema mobiliza de forma intensa o poder público e uma forte rede de organizações não governamentais (ONGs) voluntárias que lutam para manter os animais protegidos e bem alimentados.