A Justiça do Rio Grande do Sul condenou três ex-policiais militares a 24 anos de prisão pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos. A sentença foi lida na madrugada deste sábado, 4, no Foro de São Gabriel, após cinco dias de júri.
Foram condenados Arleu Jacobsen, de 46 anos, Cleber Lima, de 32, e Raul Veras Pedroso, de 41 anos. O Tribunal do Júri reconheceu o crime de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena será cumprida em regime fechado.
A decisão também determinou a perda dos cargos públicos dos réus e o pagamento de R$ 100 mil de indenização à família de Gabriel. Cabe recurso, mas os condenados, que estão presos desde 2022, não poderão recorrer em liberdade.
O julgamento começou na segunda-feira, 29. Ao longo da semana, foram ouvidas 17 testemunhas, além dos três réus. Os jurados também participaram de duas inspeções judiciais no local dos fatos, uma durante o dia e outra à noite.
Durante os debates, o Ministério Público do Rio Grande do Sul sustentou que os três ex-PMs assumiram o risco de provocar a morte de Gabriel durante a abordagem. A acusação classificou a sequência como uma “escalada de violência”.
As defesas negaram a autoria do crime e afirmaram que não havia provas suficientes para condenação. Também sustentaram que Gabriel teria sido deixado com vida após a abordagem. Os advogados informaram que vão recorrer da decisão.
Gabriel desapareceu na noite de 12 de agosto de 2022, depois de uma abordagem da Brigada Militar em São Gabriel. Segundo a denúncia do MPRS, o jovem foi agredido, colocado em uma viatura e depois encontrado morto. O corpo foi localizado sete dias depois, em um açude na localidade de Lava Pé.
O caso teve grande repercussão no Estado por envolver agentes públicos em serviço e pela forma como Gabriel desapareceu após a abordagem policial. Para o MPRS, a decisão representa responsabilização pela morte do jovem.