A Igreja Católica enfrenta uma de suas maiores crises institucionais recentes após a Fraternidade São Pio X, um grupo católico ultratradicionalista, desafiar abertamente a autoridade do Papa Leão XIV. O movimento consolidou a ordenação de quatro novos bispos sem o aval ou consentimento da Santa Sé, um ato classificado formalmente pelo Vaticano como "ato cismático" e que acarreta a pena de excomunhão automática (latae sententiae) para todos os clérigos envolvidos na cerimônia.
O episódio ressuscita os fantasmas da grave crise enfrentada em 1988, quando o movimento — fundado originalmente pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre — rompeu com Roma sob o pontificado de João Paulo II pelas mesmas razões. O atual superior geral da fraternidade, Davide Pagliarani, ignorou os apelos finais de unidade feitos pelo Papa Leão XIV no fim de junho de 2026 e levou adiante a celebração de uma missa tridentina de quatro horas para a consagração de dois sacerdotes franceses, um americano e um suíço, argumentando que a medida visa "preservar a verdadeira tradição católica" e não criar uma nova igreja.
O grupo mantém uma postura irredutível contra as diretrizes ecumênicas contemporâneas adotadas pelo Vaticano:
Rejeição ao Concílio: A Fraternidade São Pio X recusa-se a aceitar as reformas teológicas e litúrgicas estabelecidas pelo Concílio Vaticano II na década de 1960;
Defesa da Tradição: O movimento exige o retorno obrigatório das missas celebradas inteiramente em latim, com o sacerdote posicionado de costas para os fiéis e de frente para o altar;
Crescimento Conservador: Atualmente, a organização afirma estar presente em 77 países, contando com cerca de 751 sacerdotes e atraindo uma estimativa de 600 mil fiéis, surfando em uma onda conservadora que ganha força nos Estados Unidos, na França e também em solo brasileiro.