A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a Operação Contra Barbariem, uma ofensiva de alta complexidade voltada a desarticular uma rede criminosa envolvida em graves crimes de violência física e psicológica. A mobilização policial consistiu no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva, todos expedidos pelo juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé. O objetivo principal das ordens judiciais foi cessar de forma imediata as agressões, proteger as vítimas sobreviventes e coletar novas provas materiais.
As investigações, conduzidas em sigilo pela inteligência da PF, revelaram indícios contundentes de reiterados episódios de tortura praticados contra pessoas em extrema situação de vulnerabilidade, incluindo bebês, crianças de tenra idade e animais domésticos. O grupo agia de forma coordenada e cruel, utilizando a tecnologia para registrar as atrocidades cometidas no ambiente doméstico.
A dinâmica montada pela associação criminosa envolvia uma divisão estruturada de tarefas entre os seus integrantes:
Foco das agressões: Parte substancial dos episódios violentos investigados ocorreu no município de Bagé, localizado na Região da Campanha;
Uso da internet: Os suspeitos registravam as agressões em fotos e vídeos de alta resolução e compartilhavam o conteúdo sádico por meio de plataformas digitais e aplicativos de mensagens;
Linha de investigação: Os agentes federais agora cruzam dados digitais para esclarecer se havia a comercialização e venda desses arquivos audiovisuais em redes ocultas da internet (Dark Web).
Os mandados foram executados simultaneamente nas cidades gaúchas de Bagé, Candiota e Canoas. Dependendo do nível de participação e da conduta individualizada, os investigados poderão responder formalmente perante a Justiça Federal e Estadual pelos crimes de tortura (com causa de aumento de pena por ser praticada contra crianças ou adolescentes), associação criminosa estável e maus-tratos qualificados a animais.