A aproximação dos primeiros impactos severos associados ao fenômeno climático El Niño na Região Sul do Brasil colocou as autoridades em estado de alerta máximo. Diante disso, a Defesa Civil na Serra Gaúcha intensificou o cronograma de ações preventivas e de preparação nos municípios da região. O objetivo central das medidas é mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos e otimizar o tempo de resposta em caso de desastres naturais.
De acordo com o tenente-coronel Marcelo Almeida de Souza, coordenador da 9ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC 9), as estratégias de contingência estão direcionadas com maior foco para as regiões Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul. O plano estrutural envolve reuniões técnicas consecutivas com as administrações municipais para alinhar o acionamento imediato de secretarias estratégicas, como as de Obras, Habitação e Assistência Social.
Para fazer frente aos novos desafios climáticos, a coordenadoria regional passa por uma profunda reformulação em sua dinâmica de trabalho:
Foco territorial e ampliação de equipe: A área de abrangência foi otimizada, reduzindo o atendimento de 62 para 49 municípios, o que permite uma atuação mais cirúrgica. Em contrapartida, o quadro de pessoal saltou de dois para sete integrantes, incluindo seis militares e uma técnica civil voltada ao planejamento e gestão;
Mapeamento de riscos: Levantamentos preliminares conduzidos pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB) já identificaram 615 áreas de alto risco na região da Serra, onde vivem aproximadamente 34 mil pessoas em condições de vulnerabilidade. O estudo de solo e monitoramento de encostas segue em andamento;
Intercâmbio com a Itália: Engenheiros italianos visitaram recentemente pontos críticos no Vale do Taquari para compartilhar protocolos de reconstrução. O intercâmbio abriu caminho para a assinatura de um convênio focado no aperfeiçoamento de estratégias de mitigação.
Além das ações de campo, a Defesa Civil confirmou que o edital de licitação para a construção da nova sede da coordenadoria regional deve ser publicado em até 40 dias. O futuro complexo contará com uma estrutura moderna, abrigando um Centro Integrado de Gestão de Desastres e um Centro Regional Logístico específico para o armazenamento e distribuição rápida de ajuda humanitária.