Economia Rio Grande do Sul
Ministro defende direito de greve para destravar acordos coletivos
Durante encontro com centrais sindicais, chefe da pasta do Trabalho criticou a escala 6x1, debateu a redução da jornada semanal e defendeu o fortalecimento do custeio sindical
27/06/2026 22h39 Atualizada há 2 horas
Por: Redação
Foto: Reprodução

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, cumpriu agenda em Porto Alegre e gerou forte repercussão ao manifestar apoio a movimentos grevistas como instrumento de pressão trabalhista. Durante um encontro com lideranças e representantes de centrais sindicais, o chefe da pasta argumentou que as paralisações podem se fazer necessárias em cenários onde as negociações diretas entre trabalhadores e empregadores encontram-se completamente estagnadas.

Marinho ponderou que o ambiente de diálogo e a conciliação formal são sempre os caminhos preferíveis. No entanto, assinalou que existem conjunturas específicas em que a greve atua como uma ferramenta legítima para forçar a classe empresarial a ceder espaço para o debate de contratos coletivos. "Eu sinto que vários segmentos estão com o diálogo bloqueado para possibilitar o contrato coletivo. Então está faltando uma grevinha em alguns setores para provocar que o empresário sente à mesa para buscar uma solução", declarou o ministro.

Pauta sindical: escala 6x1 e redução de jornada

A reunião na capital gaúcha serviu de palco para o debate de reformas estruturais nas leis laborais brasileiras, com destaque para os seguintes eixos centrais:

Outro ponto de forte debate envolveu a perda de arrecadação e a perda de representatividade das entidades de classe após a aprovação da Reforma Trabalhista de 2017. O ministro afirmou que o esvaziamento financeiro prejudicou severamente o poder de barganha dos trabalhadores, mas pontuou que qualquer alteração nova no modelo de contribuição e custeio assistencial dos sindicatos depende estritamente de articulação e votação no Congresso Nacional.

Continua após a publicidade

Os posicionamentos do ministro repercutem de maneira imediata nas principais forças produtivas do interior do Estado, sobretudo na Serra Gaúcha, região caracterizada por um forte polo metalmecânico, moveleiro e vitivinícola. Em cidades com alto índice de empregabilidade industrial e agrícola, como Bento Gonçalves, a relação entre os sindicatos patronais e de trabalhadores é historicamente marcada por rodadas complexas de dissídios e convenções coletivas. Declarações que acenam para paralisações tendem a ligar o sinal de alerta no empresariado local, que prioriza a estabilidade produtiva das fábricas e do campo para manter os níveis de competitividade econômica do mercado serrano.