O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou no Diário Oficial da União a atualização da Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. O documento técnico, fundamentado em avaliações coordenadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), trouxe de volta à relação a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus). A ave, que havia deixado o mapa de risco em 2014 graças a intensivos esforços de conservação, retorna agora classificada na categoria de vulnerável.
A nova listagem oficial substitui a versão anterior, emitida em 2022, e consolida o monitoramento de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. Ao todo, o inventário aponta 789 espécies ameaçadas de extinção e mantém o registro de nove já totalmente extintas no território brasileiro.
O balanço técnico detalha o nível de urgência e preservação para cada grupo de animais catalogados:
Criticamente em Perigo (CR): São 168 espécies nesta situação extrema, das quais 25 já são consideradas pelo Ibama e ICMBio como "possivelmente extintas";
Em Perigo (EN) e Vulneráveis (VU): Há 285 espécies classificadas em perigo iminente e outras 336 consideradas vulneráveis (grupo em que a arara-azul-grande foi reinserida);
Inclusões Recentes: Cerca de 180 animais e subespécies entraram na lista devido ao agravamento de suas condições de sobrevivência na natureza. Além da arara-azul, destacam-se a entrada do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus).
A maior incidência de espécies ameaçadas concentra-se no grupo dos invertebrados terrestres (264 registros), seguidos de perto pelas aves (242) e pelos répteis (123). Por outro lado, o levantamento indicou uma notícia positiva: aproximadamente 150 espécies deixaram o índice de risco de extinção devido ao avanço do conhecimento científico, revisões de taxonomia e melhorias reais no estado de conservação de suas populações originais.
As discussões nacionais sobre a proteção da fauna e o combate aos crimes ambientais, como o tráfico de animais silvestres e o desmatamento, encontram forte eco nas ações de conscientização promovidas no Sul do país. Na Serra Gaúcha, o cuidado com a fauna nativa e a preservação de corredores ecológicos rurais são pautas constantes em debates sobre sustentabilidade. Em Bento Gonçalves, projetos locais de educação ambiental buscam sensibilizar a comunidade e os setores produtivos sobre a importância de preservar a biodiversidade de espécies da Mata Atlântica e do bioma Pampa, reforçando o papel das cidades gaúchas no pacto nacional pela conservação ambiental.