A MetSul Meteorologia emitiu um alerta rigoroso para o primeiro episódio de chuva volumosa associado ao fenômeno El Niño neste inverno. O avanço de um sistema de instabilidade deve despejar acumulados expressivos de precipitação, estimados entre 100 mm e 200 mm em poucos dias, sobre diversas áreas dos três estados da Região Sul do Brasil, com marcas que podem ser localmente superiores. O evento traz consigo o risco iminente de temporais isolados, quedas de granizo e rajadas de vento forte.
A mudança no padrão do tempo inicia-se gradualmente ao longo deste sábado (27), com o aumento significativo da cobertura de nuvens. Enquanto o Paraná já registra pancadas de chuva desde as primeiras horas do dia, a instabilidade avança em direção a Santa Catarina e atinge setores das metades Oeste e Norte do Rio Grande do Sul entre a tarde e a noite. No domingo (28), a formação de uma área de baixa pressão atmosférica espalha a chuva por todo o território gaúcho, trazendo pancadas moderadas a fortes.
Os modelos meteorológicos indicam uma dinâmica de forte persistência da instabilidade ao longo da semana:
Frente e Ciclone: Na segunda-feira (29), a atuação de uma frente fria associada a um ciclone em alto mar concentra os maiores volumes no Paraná e em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, o ingresso de ar frio e seco garante uma trégua temporária com a volta do sol;
Bloqueio e Recuo: A progressão do sistema será freada por um bloqueio atmosférico gerado por uma massa de ar quente no centro do país. Com isso, a frente torna-se semi-estacionária e recua na terça-feira (30), trazendo a chuva de volta para a Metade Norte gaúcha;
Chuva Intensificada: Na quarta-feira (1º de julho), o choque térmico com uma potente massa de ar polar na Argentina intensifica a frente fria, provocando temporais severos na Metade Norte e Leste do RS, em Santa Catarina e no Sul paranaense. A instabilidade segue irregular e começa a perder força na quinta-feira (2) com a entrada definitiva do ar frio.
Os mapas de projeção computadorizada dos centros europeu e canadense mostram consenso de que os maiores acumulados se concentrarão no Noroeste e Norte gaúcho, no Centro-Oeste catarinense e no Sudoeste do Paraná.
A configuração é típica de anos de Pacífico aquecido. O El Niño atual, declarado oficialmente em 11 de junho, já atinge anomalias de temperatura de +1,7°C na região Niño 3.4, o que o classifica no patamar de intensidade forte pelo método tradicional de monitoramento.
A chegada deste primeiro evento extremo de precipitação coloca em alerta as defesas civis de toda a Serra Gaúcha. Em polos produtivos como Bento Gonçalves, as autoridades locais reforçam a necessidade de monitoramento preventivo em encostas com risco de deslizamento e áreas ribeirinhas vulneráveis a alagamentos rápidos, uma vez que a MetSul adverte que o segundo semestre sob a influência do El Niño será marcado por enchentes severas e tempestades frequentes na região.