Novas declarações da deputada estadual Laura Sito (PT) intensificaram os debates na Assembleia Legislativa sobre a transparência e a destinação dos recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado para financiar a reconstrução do estado após as catastróficas enchentes de 2024. A parlamentar denunciou que um montante de até R$ 200 milhões do fundo público está sendo direcionado, por meio de programas de incentivo ao turismo, para o financiamento de empreendimentos de alto padrão, incluindo resorts de luxo situados na Serra Gaúcha.
Segundo a denúncia, os repasses estariam ocorrendo via Prograntur, programa governamental voltado a subsidiar grandes projetos turísticos. Laura Sito argumenta que os valores deveriam ser priorizados para o acolhimento emergencial de famílias desabrigadas, reestruturação de habitações populares e fomento econômico a micro e pequenos comerciantes severamente afetados pelas cheias históricas que atingiram o território gaúcho.
A discussão ganhou novos desdobramentos com apontamentos sobre a governança e a lisura do comitê gestor do fundo:
Membros do Conselho: A deputada revelou que três representantes de empresas ligadas a esses grandes empreendimentos turísticos privados foram convidados pelo Executivo para compor o conselho responsável por aprovar a liberação das verbas;
Acionamento de Órgãos: Diante do suposto favorecimento institucional, a parlamentar informou que acionou formalmente os órgãos de fiscalização externa e controle do Estado, cobrando transparência absoluta nos processos de gestão do Funrigs;
Contestação do Estado: Em nota oficial, o governo do Estado contestou veementemente as acusações, esclarecendo que nenhum recurso financeiro foi efetivamente liberado até o momento. O Piratini sustenta que os projetos passam por análise técnica rigorosa e que o Prograntur visa reaquecer o turismo, atrair investimentos privados e gerar novos empregos no pós-crise.
O debate em torno da aplicação das verbas de reconstrução atrai a atenção de lideranças comunitárias e empresariais de toda a região serrana. Municípios com forte apelo turístico e hoteleiro, como Gramado, Canela e Bento Gonçalves, acompanham de perto os critérios de fomento ao setor, visto que a infraestrutura urbana e a logística regional foram profundamente impactadas pela crise climática e necessitam de aportes financeiros claros e transparentes para garantir o desenvolvimento econômico sustentável.