Política Justiça
STF condena Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por coação
Decisão unânime determina perda de cargo na PF e inelegibilidade por oito anos; ex-deputado é acusado de articular sanções nos EUA para blindar o pai
16/06/2026 22h05 Atualizada há 2 horas
Por: Redação Fonte: ABCMais
Foto: Reprodução

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) impôs uma dura penalidade jurídica a um dos principais nomes da oposição parlamentar recente. Por unanimidade de votos, o colegiado condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro à pena de 4 anos e dois meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto. A decisão colegiada também determinou o pagamento de 50 dias-multa, a cassação de seus direitos políticos pelo prazo de oito anos e a perda imediata de seu cargo público efetivo de escrivão da Polícia Federal.

O tribunal acompanhou integralmente a denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), tipificando as condutas do ex-parlamentar como crime continuado de coação no curso do processo. De acordo com o entendimento consolidado pelos ministros, Eduardo Bolsonaro utilizou sua rede de contatos políticos internacionais para tentar constranger e intimidar de forma direta o Poder Judiciário brasileiro, visando paralisar ou interferir no julgamento da ação penal que investigava seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por participação em uma trama golpista.

Articulação internacional e desinformação

O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, enfatizou que o réu produziu provas públicas contra si mesmo ao se vangloriar das tratativas externas em suas redes sociais.

A investigação penal evidenciou que os atos de pressão política foram articulados diretamente em território norte-americano:

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Interlocução política e extradição improvável

Durante a sessão de julgamento, a defesa técnica do acusado foi exercida pela Defensoria Pública da União (DPU), uma vez que o réu foi citado por edital. O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho argumentou que as agendas de Eduardo nos EUA configuravam estritamente "interlocução política" e que ele não dispunha de poder de ingerência institucional para ditar a política externa da Casa Branca ou impor sanções econômicas formais.

Como o ex-deputado fixou residência nos Estados Unidos desde o ano passado — após perder o mandato por ausências reiteradas no Congresso Nacional —, o cumprimento imediato da sanção penal em regime semiaberto é considerado de difícil execução. Analistas internacionais apontam que, devido à proximidade política com a administração do presidente Donald Trump, o governo norte-americano tende a blindar o aliado, tornando improvável o cumprimento de eventuais mandados de prisão ou extradição emitidos pelo Brasil.