O governo do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) lançaram nesta quinta-feira (11/6), em Porto Alegre, a plataforma Cesta Nutricional Familiar . A iniciativa, inédita no país, passará a publicar um relatório mensal com o custo de uma cesta de alimentos elaborada a partir de recomendações nutricionais e hábitos reais de consumo de uma família gaúcha.
O projeto também inclui um painel interativo, que ficará hospedado no Portal Receita Dados , onde será possível consultar informações mais detalhadas sobre o custo da alimentação no Estado. A plataforma mostrará, por exemplo, o custo da cesta para uma dieta convencional, com consumo de proteína animal, e para uma alimentação vegetariana voltada ao público adulto, além de recortes específicos para faixas etárias infantis, de 6 meses a 10 anos. Também poderá ser comparado o custo entre diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
Finalidades sociais
A plataforma foi pensada para atender a diversas finalidades sociais. Um dos objetivos é auxiliar a população na adoção de escolhas alimentares mais saudáveis e que caibam no bolso de cada família. Para isso, o painel oferece a possibilidade de simular o custo de uma cesta alimentar de acordo com a composição do núcleo familiar, o padrão alimentar adotado (convencional ou vegetariano) e a região do Estado onde o grupo vive.
Os dados também podem servir de apoio para o planejamento alimentar em escolas, hospitais, instituições de longa permanência e cozinhas comunitárias, uma vez que as informações podem contribuir para a elaboração de cardápios mais equilibrados e economicamente viáveis.
Para monitorar os preços, a plataforma utiliza a base de dados da Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica (NFC-e), que registra o valor das compras realizadas no varejo e no atacado de todo o Estado. A base de informações da Sefaz processa cerca de 6,6 milhões de notas fiscais desse tipo diariamente – número superior à quantidade de Pix realizados diariamente no RS, que é de aproximadamente 5,9 milhões de registros por dia.
O projeto em parceria com a PUCRS se soma aos demais indicadores do Programa Desenvolve RS, desenvolvido pela Receita gaúcha, que transforma a base de informações fiscais do Estado em indicadores e dados relevantes para o setor produtivo e para a sociedade.
“Esse é um projeto muito simbólico por ser o primeiro no âmbito do Desenvolve RS a firmar uma parceria com a universidade. Mais interessante ainda é que a plataforma tem potencial de oferecer subsídios robustos para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas para segurança alimentar, aquisição de alimentos, incentivo à produção local e assim por diante”, afirma o subsecretário-adjunto da Receita Estadual, Giovanni Padilha.
Preço da cesta fica em R$ 1.453,77 em maio
O custo da Cesta Nutricional Familiar para a família gaúcha, que considera um núcleo composto por dois adultos e uma criança de 4 a 10 anos, alcançou R$ 1.453,77 em maio de 2026, uma alta de 2,86% em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 2,94%. O resultado, segundo relatório, confirma o movimento de elevação dos custos dos alimentos que vem sendo observado a partir de abril.
Parte dessa pressão sobre os preços está ligada a fatores sazonais, que costumeiramente influenciam o valor de determinados alimentos. Além disso, o aumento dos custos de insumos agrícolas, como fertilizantes, e do transporte de cargas, impactados pelo cenário de instabilidade no Oriente Médio, também pode estar contribuindo para a oscilação dos preços.
As cestas mais caras foram registradas nas regiões do Médio Alto Uruguai (R$ 1.556,48) e Hortênsias (R$ 1.553,04). Já os menores valores foram encontrados no Jacuí Centro (R$ 1.340,74), única região que assinalou queda da cesta em maio; e Centro Sul (R$ 1.380,65). A região Metropolitano Delta do Jacuí (+5,18%), que inclui Porto Alegre, teve alta de 5,18%, com a cesta custando R$ 1.515,22.
No mês analisado, o valor da cesta passou a corresponder a aproximadamente 89,7% do salário mínimo nacional, percentual superior aos registrados em abril (87%) e março (85%). Apesar da elevação, o índice ainda está abaixo dos patamares observados em diversos momentos entre 2022 e 2024, quando o custo da cesta chegou a superar 100% do salário mínimo.
Outro recorte importante do relatório é a análise da chamada acessibilidade nutricional, que mede a quantidade de nutrientes que pode ser adquirida com cada R$ 1 gasto. Os resultados de maio mostram que a redução dos preços da coxa e do peito de frango ampliou a oferta de proteínas de alto valor biológico por real investido. A lentilha e a batata-doce se destacaram pela atrativa relação entre custo e teor de fibras. Já a queda dos preços da laranja e do mamão aumentou o acesso da população à vitamina C.
Mais sobre a cesta
Os alimentos foram organizados conforme os grupos previstos no Guia Alimentar para a População Brasileira, incluindo cereais e tubérculos; leguminosas; frutas, verduras e legumes; carnes e ovos; laticínios; óleos e gorduras; e açúcares. A seleção dos produtos levou em conta os itens de maior presença na mesa dos brasileiros, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017–2018), como arroz, feijão, carnes, frutas, hortaliças e leite.
A quantidade de cada alimento foi definida a partir das recomendações de porções diárias para uma dieta de referência de aproximadamente 2 mil calorias, que foram convertidas em volumes anuais. Esse é o cálculo que estima a quantidade necessária de alimentos para garantir uma alimentação equilibrada, com aporte adequado de energia, macronutrientes e micronutrientes.
Além disso, a metodologia incorporou diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para os limites de consumo de sal e açúcar, além de parâmetros das Dietary Reference Intakes (DRIs) e recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Texto: Rodrigo Azevedo/Ascom Sefaz
Edição: Secom