O avanço das frentes frias e a proximidade do inverno acenderam um sinal de alerta máximo na saúde pública do país. O novo relatório do InfoGripe, monitoramento desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta para um crescimento expressivo no número de internações decorrentes do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e da gripe provocada pelos vírus Influenza A e B. Os dados técnicos correspondem ao fechamento da Semana Epidemiológica 22.
O estudo revela um cenário preocupante de vulnerabilidade: 11 das 27 unidades federativas do Brasil apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em patamares avaliados como de alerta, risco ou alto risco. A tendência de alta no longo prazo, calculada com base no balanço das últimas seis semanas, atinge diretamente os estados do Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
O levantamento laboratorial da Fiocruz aponta que diferentes vírus estão atacando perfis de idades específicos na população.
A distribuição dos diagnósticos dentro dos hospitais nas últimas semanas acendeu o alerta para os seguintes comportamentos virais:
Crianças até 4 anos: A explosão de casos de insuficiência respiratória nesta faixa etária é impulsionada majoritariamente pelo VSR;
Crianças e adolescentes (5 a 14 anos): Há uma forte predominância do Rinovírus e um aumento considerável nas notificações de Influenza B;
Jovens, adultos e idosos: O vírus Influenza A (gripe comum e subtipos) lidera como a principal causa de internações em leitos clínicos e de UTI.
Até o momento, o balanço epidemiológico indica que o país já registrou 3.591 óbitos por SRAG. De acordo com a pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa de Computação Científica da Fiocruz, o quadro exige mobilização urgente para frear a cadeia de transmissão do vírus influenza e VSR.
A especialista reforça que a vacinação regular é a ferramenta mais eficaz para evitar complicações graves e mortes. Além da imunização, as autoridades recomendam a retomada de hábitos preventivos essenciais contra as doenças respiratórias no inverno, como a higienização constante das mãos e o uso de máscaras protetoras em postos de saúde e ambientes fechados para conter o contágio por gripe e SRAG no Brasil em 2026.