A Polícia Civil investiga uma suspeita de tortura depois que um homem de 47 anos foi encontrado amarrado a um poste em Rio Grande, no Sul do Rio Grande do Sul. O caso ocorreu no fim da tarde de quarta-feira, 10, em uma área conhecida como Hidráulica.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o homem preso à estrutura com fitas adesivas, coberto por tinta preta e com uma faixa com acusações relacionadas a supostos furtos. A Brigada Militar foi acionada e localizou apenas a vítima no local. Nenhum suspeito foi preso durante o atendimento da ocorrência.
A principal linha de investigação considera a hipótese de que moradores tenham identificado o homem como suposto autor de crimes patrimoniais e decidido puni-lo com exposição pública. A Polícia Civil destaca, porém, que não há confirmação de crime recente cometido pela vítima nem relação comprovada com algum fato específico.
Após ser libertado, o homem não quis acompanhar os policiais até a delegacia para prestar depoimento. A ausência desse relato dificulta a reconstituição dos fatos e a identificação dos envolvidos. A polícia busca imagens, testemunhas e outros elementos para esclarecer quem participou da ação.
Embora o homem tenha antecedentes por delitos como roubo, furto, lesão corporal e ameaça, a Polícia Civil ressalta que isso não autoriza violência, humilhação pública ou punição por conta própria. O caso pode resultar em responsabilização criminal dos envolvidos.
Pela Lei de Tortura, pode ser crime submeter alguém a intenso sofrimento físico ou mental como forma de castigo ou medida de punição. A pena prevista é de dois a oito anos de reclusão. A punição pode aumentar se houver lesão corporal grave, morte ou outras circunstâncias previstas em lei.
O caso traz à tona o debate sobre o fato de se fazer justiça com as próprias mãos. A suspeita de furto deve ser apurada pela polícia e julgada pela Justiça. A exposição pública, a agressão e a tortura também são crimes e podem transformar autores da punição em investigados.