Segurança Tribunal
Desembargadores avaliam recurso para anular júri que desclassificou feminicídio em Garibaldi
Caso envolve a morte de Eleci Faleiro; Ministério Público contesta decisão de jurados que mudou o crime para lesão corporal seguida de morte
11/06/2026 08h02
Por: Redação
Morte de Eleci Faleiro, foi investigada pela polícia como feminicídio. No entanto, julgamento do ex-companheiro mudou durante o júri popular. (Foto: Arquivo pessoal / divulgação)

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) dará início, na próxima semana, ao julgamento do recurso que pede a anulação do Tribunal do Júri de Adair Leonir Rommel. Ele é acusado de matar a ex-companheira Eleci Rejane Faleiro, de 38 anos, em julho de 2025, no bairro São Francisco, em Garibaldi. O caso ganhou forte repercussão na Serra Gaúcha devido à reviravolta jurídica ocorrida durante o julgamento em janeiro deste ano.

Apesar de o inquérito da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público (MP) apontarem o crime como feminicídio, os jurados acolheram a tese defensiva de que o réu não teve a intenção de matar. Com isso, o conselho de sentença desclassificou a tipificação para lesão corporal dolosa seguida de morte. Por não ser um crime doloso contra a vida, a definição da pena de 9 anos, 8 meses e 4 dias de reclusão — cumprida na Penitenciária de Bento Gonçalves — ficou a cargo do juiz presidente, sem a soberania do júri sobre o veredito final.

Julgamento do recurso e próximos passos

A sessão de análise do recurso está agendada para a próxima quinta-feira, dia 18 de junho, em Porto Alegre.

O colegiado composto por três desembargadores avaliará os argumentos apresentados pela acusação e pela defesa:

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A mobilização em torno do caso da violência contra a mulher em Garibaldi gerou comoção local, incluindo caminhadas e protestos organizados por familiares que cobram rigor na aplicação da lei. A assistência de acusação, que representa as filhas da vítima, informou que uma indenização civil fixada em R$ 50 mil segue retida aguardando a definição dos recursos. Caso a sentença atual seja mantida ou modificada, ambas as partes ainda poderão recorrer às instâncias superiores em Brasília para contestar o desfecho do julgamento em Garibaldi em 2026.