O impacto das pressões corporativas na saúde mental dos colaboradores ganhou destaque em um debate realizado em Porto Alegre. Durante uma palestra na Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) do Correio do Povo, a psicóloga Andréa Fidelis alertou para os graves riscos psicossociais ocultos nas rotinas corporativas e defendeu a urgência de uma mudança cultural nas empresas para frear os diagnósticos de esgotamento.
Fidelis, que atua como coordenadora do curso de Psicologia do Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (IBGEN), destacou que a discussão sobre o tema deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação legal. Ela lembrou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho foi atualizada para contemplar obrigatoriamente o gerenciamento de riscos à saúde mental dos trabalhadores, tirando o peso da culpa individual e responsabilizando os locais de trabalho pela integridade da equipe.
O esgotamento profissional não surge do trabalhador, mas sim da estrutura em que ele está inserido.
A especialista elencou comportamentos cotidianos que funcionam como sintomas silenciosos de que a rotina profissional ultrapassou os limites saudáveis. De acordo com a psicóloga, os trabalhadores e gestores devem ficar atentos caso identifiquem:
Pensamento obsessivo e recorrente sobre as obrigações profissionais logo nos primeiros minutos do dia;
Sacrifício sistemático de momentos de lazer e da vida social para cumprir demandas e metas laborais;
Cancelamento frequente de compromissos familiares ou pessoais em função de sobrecarga na agenda.
O debate ganha contornos ainda mais urgentes no cenário regional. Dados oficiais revelam que, no acumulado do ano passado, o Rio Grande do Sul figurou como o estado brasileiro com o maior volume absoluto de afastamentos do trabalho motivados por transtornos psicológicos e emocionais.
A palestrante reforçou que empresas que mantêm ambientes tóxicos colhem prejuízos na produtividade e geram um ciclo de desmotivação e absenteísmo. A tendência para as frentes corporativas é de fiscalização mais rígida sobre a aplicação das diretrizes de saúde mental no trabalho, exigindo ações práticas de prevenção para a construção de ambientes laborais saudáveis no RS e a redução dos índices de burnout e adoecimento laboral.