Saúde Butantan
Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação contra a dengue
Paralisação preventiva ocorre após a notificação de reações severas e duas mortes em investigação; pasta orienta vacinados nos últimos 21 dias a monitorarem sintomas
08/06/2026 22h21
Por: Redação
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (8). (Foto: Reprodução / Youtube)

O Ministério da Saúde anunciou, na tarde desta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a paralisação temporária e preventiva da vacinação contra a dengue realizada com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi motivada pela necessidade de investigar a ocorrência de efeitos adversos severos identificados em pessoas que receberam a vacina.

Os detalhes foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista coletiva concedida em Brasília. Segundo o ministro, foram identificadas 42 reações severas e dois óbitos, que aconteceram nos meses de março e abril. As mortes estão sob investigação e ainda não possuem relação direta de causalidade comprovada com o imunizante.

As reações identificadas não haviam se manifestado nos testes anteriores à aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que envolveram o acompanhamento de 16 mil pessoas ao longo de cinco anos. A vacina Butantan-DV foi aprovada em novembro de 2025, sendo a primeira do mundo em dose única e a primeira totalmente brasileira.

O público atingido e os casos graves

Entre janeiro e 30 de maio deste ano, foram aplicadas 501.044 doses do imunizante, que havia sido incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) no início do ano. O público-alvo era composto por pessoas de 15 a 59 anos e profissionais de saúde. O programa contemplou profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) em todo o país e moradores de municípios selecionados para a ampliação da estratégia: Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).

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Ao todo, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue (0,7% dos vacinados). Desse montante, 42 pessoas evoluíram para sinais de alarme e três foram consideradas graves:

De acordo com o ministro Alexandre Padilha, os três casos graves foram identificados exclusivamente entre profissionais da atenção primária à saúde, e nenhum ocorreu nas cidades que receberam a vacinação em massa.

Armazenamento e orientações da pasta

O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, ressaltou que a suspensão não invalida a eficácia do imunizante, mas serve para garantir tempo para novos estudos. As doses já distribuídas continuarão armazenadas nos estados e municípios durante o andamento das apurações.

A orientação oficial do Ministério da Saúde é que as pessoas que receberam o imunizante nos últimos 21 dias façam o acompanhamento em uma unidade de saúde e fiquem atentas aos seguintes sintomas:

Em nota oficial, o Instituto Butantan reiterou o caráter preventivo da interrupção para garantir a segurança da população. O instituto relembrou que a vacina registrou eficácia global de 79,6% (e 89% contra a dengue grave) em publicação científica e que o monitoramento nas cidades de vacinação em massa segue positivo, sem reações importantes.