Enquanto a comunidade científica e os entusiastas da ufologia debatem a natureza das luzes misteriosas que cruzaram os céus da Serra Gaúcha na primeira semana de junho de 2026, a rotina na Linha Tomasi, no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves, mudou drasticamente. Longe dos debates técnicos, a agricultora Priscila Menoncin, de 33 anos, enfrenta uma realidade completamente nova: o repentino assédio de curiosos, o carinho de milhares de desconhecidos e uma inesperada salvação financeira para a sua família.
O que começou como uma noite de pânico e isolamento transformou-se no estopim de uma grande mudança. Na virada do dia 1º para o dia 2 de junho, após colocar a família para dormir, Priscila limpava a cozinha quando percebeu feixes de luz intensa atravessando os vidros da residência,
acompanhados por um forte ruído mecânico. "Nossa cozinha tem uma janela e uma porta grandes, de vidro. Eu vi quando passaram umas luzes fortes lá fora, parecendo que estavam escaneando a casa. (...) Meu corpo inteiro vibrava — não sei se pelo medo ou pelo efeito daquilo", relembra a moradora.
Sozinha no escuro, diante do sono profundo dos filhos e do ceticismo inicial do marido, Marcelo, Priscila usou o celular para documentar o que acontecia. No ápice do desespero, sem conseguir contato telefônico com os funcionários da propriedade rural, ela buscou amparo na internet.
"Desesperada, cheguei a pesquisar no Google por 'oração para afastar alienígenas', 'como matar' e 'como se comunicar'", confessa.
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A decisão de publicar as imagens na plataforma TikTok e Instagram na manhã seguinte foi motivada por um desabafo familiar: provar ao marido que ela não estava imaginando coisas. Incentivada por internautas dedicados a investigar episódios insólitos, Priscila disponibilizou o vídeo. O resultado foi uma viralização avassaladora. Em menos de 24 horas, o registro ultrapassou a marca de 600 mil visualizações, transformando a pacata propriedade da Linha Tomasi no centro das atenções digitais. "Quando acordei no outro dia, vou te dizer assim, ó: cheio de comentário! (...) E eu tô me sentindo assim, ó, muito amada, sabe? Muito acolhida pelas pessoas. Todo mundo falando coisas boas assim pra mim, contando relatos", conta Priscila, surpresa com a transição do medo para o afeto do público.
A repercussão ganhou contornos ainda mais profundos devido ao cenário de crise que a família enfrentava horas antes da aparição. Naquela mesma tarde, a propriedade havia perdido seu comprador mais importante de suco de uva artesanal, um cliente tradicional de 30 anos que optou
por um fornecedor com a metade do preço. O baque financeiro havia deixado o casal desolado.
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Antes de testemunhar as luzes, a família havia se reunido para uma oração fervorosa pedindo uma saída econômica. O que parecia uma assombração no telhado acabou se convertendo na resposta que buscavam. Com a fama repentina, a agricultora passou a receber centenas de mensagens de todo o país, não apenas de curiosos sobre os óvnis, mas de novos clientes ávidos pelo produto da família. "Por incrível que pareça, tem um monte de gente me procurando, conversando comigo, pedindo o suco de uva! (...) As pessoas estão me mandando mensagem do outro lado do Brasil para uma agricultora que não sai nem de casa, que não conhece longe de casa. E as pessoas me conhecem agora!"
• Tarde de 1º de Junho: Priscila escuta ruídos estranhos vindos da mata próxima à residência e nota uma agitação incomum e persistente nos cães da propriedade.
• Madrugada de 2 de Junho (23h): Sozinha na cozinha após a oração familiar, Priscila ouve sons de "correntes e estralos". Luzes fortes "escaneiam" as janelas e ela grava o monitor de segurança e as vidraças com o celular.
• Manhã de 2 de Junho: O vídeo é publicado no TikTok para convencer o marido cético. A postagem viraliza rapidamente e atinge mais de 600 mil visualizações.
• Noite de 5 de Junho (20h30): O fenômeno sonoro e luminoso se repete na propriedade rural. Desta vez, Priscila, o marido e os funcionários testemunham juntos o momento em que a fonte de luz desaparece no ar.
Criada de forma humilde pelos avós e acostumada à pacata vida da lavoura, Priscila agora precisa conciliar o manejo da terra com o gerenciamento de mensagens, ligações de emissoras de rádio e meios de comunicação e convites para viajar. O assédio dos curiosos perdeu o peso do incômodo e ganhou o status de oportunidade.
Para a moradora de Bento Gonçalves, a experiência deixou de ser um mistério assustador e passou a ser compreendida sob a ótica da fé. "Eu acredito que tudo tem um propósito na vida da gente. E acredito que Deus me capacitou para isso. (...) Então eu estou muito feliz, muito contente. Quando que eu ia imaginar que uma rádio ia me chamar, uma pessoa importante assim?", finaliza.