Uma operação policial mobilizou agentes da Polícia Civil durante toda a última quarta-feira (3 de junho) para investigar um suposto caso de sequestro na região Planalto Norte de Santa Catarina. A ação, que envolveu um grande aparato de segurança, foi coordenada pela Delegacia de Itaiópolis e contou com o suporte estratégico da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Mafra.
Após intensas diligências e buscas de campo ao longo do dia, a suposta vítima foi localizada no final da tarde escondida em uma área isolada, localizada na zona rural do município. No momento da abordagem das forças de segurança, a jovem estava acompanhada por um homem, que também foi detido e conduzido até a delegacia para prestar esclarecimentos. No entanto, a DIC de Mafra confirmou que o caso se tratava, na verdade, de um falso sequestro. A suposta vítima, uma adolescente de apenas 12 anos, foi apreendida pela Polícia Civil sob a acusação de simular o próprio cativeiro com o objetivo de extorquir dinheiro de seus próprios familiares.
O plano fraudulento teve início na madrugada de quarta-feira, quando a menina fugiu e desapareceu da residência de seus pais. A partir dali, ela passou a enviar mensagens de texto por meio de um aplicativo de conversas afirmando ter sido sequestrada por um jovem da cidade.
Nas mensagens enviadas aos pais para gerar pânico, a adolescente criava cenários graves:
Relatava que estava sob o monitoramento constante e vigilância armada de vários homens;
Dizia falsamente que vinha sendo agredida fisicamente no cativeiro;
Alegava que corria risco iminente de ser assassinada caso a polícia fosse acionada.
Assustada com o teor das mensagens e diante do perigo relatado, a família acionou os órgãos de segurança, fazendo com que a DIC de Mafra iniciasse as buscas imediatas para tentar rastrear e salvar a garota.
As linhas de investigação da Polícia Civil ganharam novos contornos e levantaram suspeitas por volta das 11 horas da manhã de quarta-feira. Foi nesse horário que as mensagens enviadas a partir do telefone celular da suposta vítima mudaram de tom e passaram a exigir formalmente o pagamento de quantias em dinheiro dos familiares como condição para a libertação da menina. Diante da cobrança do resgate, a equipe policial passou a tratar a ocorrência tecnicamente também como um crime de extorsão.
O monitoramento tecnológico e as buscas de campo continuaram até que, por volta das 17 horas, a adolescente foi localizada pelas equipes policiais em uma casa no interior de Itaiópolis.
Diante da comprovação da farsa e da autoria das mensagens de cobrança, a menor de idade foi apreendida em flagrante pela prática de ato infracional análogo ao crime de extorsão. O procedimento legal e o relatório do caso foram encaminhados aos órgãos do Poder Judiciário e ao Ministério Público para a aplicação das medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil optou por não divulgar o que teria motivado a adolescente a simular o crime, e os detalhes de fundo seguem sob apuração sigilosa.