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Setor óptico cresce 5,2% em 2026 e prioriza margem e mix
Varejo óptico faturou R$ 7,338 bilhões no primeiro trimestre e dá sinais de virada gerencial, com lojistas buscando mais ferramentas de análise par...
05/06/2026 12h00
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O varejo óptico brasileiro fechou o primeiro trimestre de 2026 com faturamento de R$ 7,338 bilhões, alta de 3% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica). Março puxou a aceleração do trimestre, com vendas de R$ 2,45 bilhões, valor 7% superior ao registrado em março do ano anterior. A entidade projeta crescimento de 5,2% para o setor no ano e identifica uma reorientação estratégica entre as empresas: a busca por aumento de volume cede espaço para uma lógica de margem, mix e captura de valor.

O comportamento do mercado no primeiro trimestre confirma um cenário de crescimento moderado, porém consistente, sustentado pela resiliência do consumo, pelo fortalecimento das vendas premium e pela maior profissionalização do varejo óptico, conforme análise de Ambra Nobre Sinkoc, diretora-executiva da Abióptica. Mesmo diante de um ambiente econômico marcado por juros elevados e consumo cauteloso, o setor mantém estabilidade acima das projeções médias da economia nacional, indica a executiva.

Para a diretora-executiva, 2026 será um período de ajuste estratégico para as empresas do setor. "Os planejadores precisam estar preparados para ajustar o rumo, deixando objetivos focados apenas em aumento de volume e direcionando suas estratégias para maior atenção à margem, ao mix e à captura de valor", afirma a executiva, em comunicado da entidade. Sinkoc descreve o movimento como uma busca por crescimento com qualidade, sustentado por diferenciação, experiência de compra, tecnologia e posicionamento de marca.

A mudança de mentalidade gerencial é avaliada como inevitável diante de um consumidor mais informado e com maior poder de comparação. Para Rafael Barros, CEO e fundador do ssOtica, plataforma de tecnologia para o setor óptico, o desafio central das óticas será elevar a percepção de valor na venda, com avanço em qualidade e rentabilidade. "As óticas precisarão vender melhor, com foco em margem, mix de produtos e gestão apoiada por tecnologia para garantir a perenidade do negócio no longo prazo", avalia Barros.

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Sinais dessa virada já aparecem no comportamento dos próprios lojistas. Monitoramento interno do ssOtica, que atende mais de 7,4 mil óticas no Brasil, identifica que a parcela da base com ferramentas analíticas ativadas passou de 1,96% em outubro de 2025 para 11,56% em abril de 2026. A escala ainda minoritária da adoção convive com curva de crescimento acelerado, em movimento que sugere busca crescente por instrumentos de leitura de margem, giro e mix por parte de gestores do varejo óptico.

Na ponta da operação, a transição esbarra na maturidade gerencial das lojas. Raphael Silva, diretor de receitas da companhia, identifica três perfis convivendo no varejo brasileiro: redes consolidadas que já operam com inteligência de negócio estruturada e acompanhamento de margem por categoria, ainda em fatia minoritária; óticas independentes em modelo híbrido, que usam o sistema para registrar vendas mas tomam decisões comerciais com base em percepção; e um terceiro grupo, considerável, que opera no modelo de caixa cheio e caixa vazio, sem separação clara entre lucro e faturamento.

Segundo Silva, muitos gestores conhecem o faturamento do mês, mas têm dificuldade de responder com precisão qual armação dá mais margem, qual fornecedor tem o melhor giro ou qual faixa de ticket médio é mais rentável depois de descontados custos de aquisição e prazos de recebimento. "As óticas que estão saindo da gestão por sensação para a gestão por indicador são justamente as que crescem de forma mais consistente. O risco para quem não embarcar nessa transformação já não é teórico, está visível na curva de margem", acentua.

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A sustentação do crescimento de 5,2% projetado pela Abióptica para 2026 tende a depender menos da expansão quantitativa de vendas e mais da capacidade de óticas independentes e redes regionais incorporarem práticas associadas à diferenciação, à experiência de compra e ao uso de tecnologia em sua gestão cotidiana. O movimento acompanha a tendência mais ampla do varejo brasileiro, pressionado por consumidor cauteloso e juros elevados, ambiente que tende a premiar operações com maior controle de margem e melhor mix de produtos.

Sobre o ssOtica

O ssOtica é uma plataforma de tecnologia voltada para o setor óptico brasileiro, desenvolvida pela Ipê Digital. Mais informações em ssotica.com.br.