O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta quarta-feira (3 de junho), o bloqueio preventivo de mais de R$ 1,1 bilhão em linhas de financiamento direcionadas a produtores rurais. A medida punitiva e de conformidade ambiental abrange solicitações de crédito protocoladas junto à instituição financeira ao longo dos últimos três anos. O veto ocorreu após a identificação de indícios consistentes de desmatamento ilegal nas propriedades rurais dos requerentes.
Entre o período de fevereiro de 2023 e abril de 2026, o banco computou 5.592 alertas de desmatamento ilegal. Esse montante de inconformidades representa cerca de 1% do universo total de 551,7 mil solicitações de crédito rural encaminhadas ao BNDES no mesmo intervalo cronológico. Toda a atividade de fiscalização e cruzamento de dados territoriais é realizada por meio de uma parceria estratégica com a plataforma MapBiomas, cujo escopo é blindar o fluxo de caixa do banco e evitar que recursos públicos financiem criminosos ambientais.
Atualmente, o BNDES adota critérios e filtros de governança socioambiental muito mais rígidos e restritivos do que as exigências mínimas estipuladas pelo próprio Banco Central para a concessão de crédito agrícola.
"É vedado o financiamento em propriedades com indícios de desmatamento ilegal. Desde 2023, evitamos quase R$ 1 milhão por dia em financiamentos a produtores com irregularidades", pontuou a instituição em nota oficial distribuída à imprensa.
Continua após a publicidade
Os impactos do endurecimento da política ambiental do BNDES foram mapeados geograficamente pelas diretorias técnicas da instituição financeira:
Centro-Oeste: Liderou o volume de tentativas de crédito, registrando o bloqueio de 0,7% dos R$ 29,7 bilhões demandados;
Sul: Teve o maior montante absoluto em requisições de recursos, resultando no travamento de 0,8% dos R$ 73,2 bilhões solicitados;
Sudeste: Apresentou o menor índice percentual de corte do país, com o impedimento de 0,5% dos R$ 23 bilhões pleiteados;
Norte: Registrou o veto de 1,7% dos R$ 6,2 bilhões em propostas enviadas ao banco;
Nordeste: Empatou no topo proporcional de rejeições, com 1,7% dos R$ 7,8 bilhões em pedidos de financiamento barrados.
Em relação aos próximos passos institucionais, a direção do BNDES assegurou que manterá o cronograma de monitoramento rigoroso e em tempo real sobre a malha de imóveis rurais cadastrados em sua carteira de fomento. A cooperação técnica e o intercâmbio de imagens de satélite e dados analíticos com o MapBiomas serão expandidos, visando aprimorar ainda mais os mecanismos automáticos de detecção e inteligência geográfica contra fraudes e crimes ecológicos no campo.