O descontentamento com o atual modelo de concessões rodoviárias e a instalação de novas praças de cobrança motivou uma grande mobilização na capital dos gaúchos. Integrantes do movimento popular "RS Pedágio Não" promoveram, nesta terça-feira (2 de junho), um ato de protesto em Porto Alegre. O grupo defende que a manutenção e a modernização da malha viária estadual sejam custeadas exclusivamente por recursos públicos dos impostos já recolhidos dos cidadãos.
A jornada de mobilização começou cedo, com caravanas partindo de diferentes cidades do interior, com forte adesão de moradores da Serra Gaúcha. O primeiro ponto de encontro ocorreu no distrito de Nova Milano, em Farroupilha. De lá, a comitiva seguiu em direção a São Vendelino, onde foi encorpada por manifestantes de outros municípios da região serrana. O comboio de veículos ainda recebeu o reforço de novos ativistas durante o deslocamento pela BR-448 (Rodovia do Parque) a caminho do destino final.
O grupo se concentrou na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, permanecendo no local até por volta das 13h40min. O momento marcou um avanço político para o movimento: pela primeira vez desde o início dos protestos regionais, os líderes da mobilização foram recebidos de forma oficial por representantes da administração estadual.
Uma comitiva liderada pela professora Márcia Rohr, integrante do movimento, foi atendida pelo secretário-adjunto da Casa Civil. Na oportunidade, foi entregue um documento formal que exige garantias orçamentárias permanentes do Estado para a conservação das rodovias e detalha os pontos técnicos pelos quais a comunidade rejeita o formato das atuais concessões privadas à iniciativa privada.
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Após deixarem a sede do Executivo, os manifestantes seguiram em marcha até o prédio do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), também na capital. Sob escolta de viaturas e agentes da Brigada Militar, o grupo participou de uma audiência agendada às 14h30min com o promotor de Justiça Felipe Hochscheit Kreutz, buscando o apoio do órgão para fiscalizar os contratos e os impactos financeiros das tarifas na economia regional.
A liderança do "RS Pedágio Não" aproveitou o espaço institucional para reiterar o posicionamento terminantemente contrário à permanência e operação da praça de pedágio de Antônio Prado, localizada na ERS-122. O movimento garante que as mobilizações, os bloqueios parciais informativos e a pressão política vão continuar nos municípios do interior até que o governo gaúcho promova alterações profundas nos projetos de modelagem das concessões de rodovias.